Portugal
Planeamento do Benfica para a defesa é risco calculado, dizem antigos jogadores
2017-09-03 17:10:00
Antigos jogadores do Benfica consideram que a aposta na continuidade e a falta de contratações faz parte do planeamento

Encerrado o mercado de transferências em Portugal, o Benfica fechou o plantel com a contratação de Douglas para a lateral direita, e manteve a aposta num setor central que combina a experiência com a juventude, mas que tem também nas lesões um dos principais pontos negativos. Rui Vitória prossegue então neste início de temporada com uma linha defensiva que provém da temporada passada, tendo apenas um novo protagonista como guardião dos destinos da baliza. Um planeamento que é um risco calculado, com base na estratégia levada a cabo pelo clube num passado recente, segundo consideraram ao Bancada antigos jogadores dos encarnados.

Será a atual defesa do Benfica suficiente para a perseguição do pentacampeonato, depois das saídas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf? Questionados sobre esta mesma questão, dois antigos jogadores das ‘águias’ destacam a aposta dos encarnados numa estratégia de valorização e de continuidade, mas com certos riscos inerentes, que poderão vir ao de cima com o decorrer da temporada.

Álvaro Magalhães considera que a estratégia levada a cabo pelo Benfica nesta janela de transferências poderia ter sido ajustada de forma diferenciada da que foi equacionada. “Poderia ter havido certos ajustes na estratégia de contratações do Benfica para a defesa, principalmente na zona central. Conseguir um central com mais qualidade, visto que o Jardel e o Lisandro López estão quase mais tempo de fora do que em campo, e um guarda-redes com mais experiência”, referiu o antigo defesa aos encarnados ao Bancada, apontado o setor central e a baliza como as maiores fragilidades da linha defensiva do emblema da Luz.

Diogo Luís, também antigo jogador dos encarnados, salientou ao Bancada que a estratégia de contratações para a defesa do Benfica é a que estava inicialmente planeada, ainda que represente um risco calculado para o clube. “A composição do setor defensivo do Benfica tem por base soluções jovens com enorme potencial e jogadores experientes, com exceção da lateral direita, pelo facto de Pedro Pereira não se ter conseguido impor. Em termos de estratégia, faz sentido as opções existentes. O risco existe nas opções jovens que podem ou não confirmar o seu valor. Mas este é um risco que os clubes portugueses, formadores, têm de correr.”

Setor central poderá revelar-se como o mais frágil

Com a saída de Victor Lindelöf, os responsáveis encarnados optaram por não investir em centrais nesta janela de transferências, confiando na experiência dos jogadores que já tinha no plantel e na ‘prata da casa’, que são dois jovens provenientes da equipa secundária: Rúben Dias e Kalaica. Ainda assim, este é o setor da defesa que se apresenta como mais passível de fragilidades, tendo em conta a constate exposição de Jardel às lesões e a falta de ritmo de Lisandro López, fruto dos escassos minutos dentro das quatro linhas.

A temática das lesões é meso um dos pontos fulcrais para esta época do Benfica, segundo palavras de Álvaro Magalhães ao Bancada. “Se não aparecerem lesões, a defesa do Benfica é uma defesa experiente, que tem ganho campeonatos. Mesmo com a saída de Lindelöf, está lá o Jardel, que já se encontrava no clube quando o sueco surgiu”, começou por considerar o antigo defesa das ‘águias’.

Álvaro Magalhães fez mesmo questão de frisar que caso as lesões venham a suceder-se repetitivamente no centro da defesa do Benfica, tal como tem vindo a acontecer num passado recente, então o clube da Luz está a expor-se ao risco. “Se o Benfica conseguir os mais experientes em forma tudo bem. O Lisandro não tem sido um titular indiscutível, só tem entrado quando um dos outros centrais têm saído lesionados. Se o Luisão ou o Jardel se lesionarem, o Benfica fica com uma defesa muito inexperiente e aí terá dificuldades.”

Quem corrobora as fragilidades que o centro da defesa do Benfica poderá apresentar para Rui Vitória é Diogo Luís, atual comentador de futebol que representou os encarnados entre 1999 e 2002. “É uma das posições mais críticas no plantel, pela importância que os centrais têm na estabilidade da equipa e por ter 2 jogadores que necessitam de uma gestão muito astuta por parte de Rui Vitória. Luisão já tem 36 anos e deverá ser alvo de uma gestão criteriosa por parte do treinador, de forma a que possa estar a 100 por cento nos jogos de grau de dificuldade superior. Jardel, em virtude de ter estado praticamente um ano parado e de ter propensão para lesões, deverá igualmente ser alvo de uma gestão criteriosa, de forma a não ter lesões que prejudiquem as opções do treinador”, atestou Diogo Luís ao Bancada.

Quanto à possibilidade de imposição de Kalaica e Rúben Dias no plantel principal, Diogo Luís não se mostra reticente, recordando o caso de Lindelöf, mas considera, ainda assim, que a estratégia levada a cabo pelo Benfica apresenta algum risco de sucesso imediato. “Kalaica e Rúben Dias enquadram-se na política do clube. Jovens com qualidade, com potencial para ser chamados assim que a oportunidade surgir. Se analisarmos hoje estas duas soluções, ficamos com dúvidas sobre a capacidade de resposta dos jogadores. Mas, ao recuar dois anos, encontramos um cenário idêntico. Lindelöf era quarta opção, mas teve a oportunidade. Esta estratégia, este ano, é ainda de maior risco do que há dois anos atrás, sobretudo pelo facto das três primeiras opções já terem mais dois anos de idade. Apesar disto, os clubes portugueses têm de correr este risco na composição dos seus planteis”, considerou Diogo Luís, apelando ao papel de formador e vendedor que os três grandes português têm no futebol europeu.

Corredores com tendência para se manterem na mesma senda

À esquerda não houve mexidas. Na direita, surgiu Doulgas à última hora, como consequência natural do facto de Pedro Pereira não ter conseguido chegar-se à frente no momento de ser o sucessor natural de Nélson Semedo. Douglas chegou à Luz proveniente do FC Barcelona, clube pelo qual raramente jogou, e não gera total consenso junto dos adeptos. Álvaro Magalhães e Diogo Luís, por seu turno, apontam à continuidade de André Almeida como dono e senhor do corredor direito da linha defensiva do Benfica, pelo menos de momento.

“O Douglas tem qualidade, mas não jogava no FC Barcelona. O André Almeida é um jogador muito regular, enquanto se mantiver bem fisicamente é um jogador que tem dado muita confiança ao treinador”, salientou Álvaro Magalhães ao Bancada. O antigo defesa mostra-se confiante na regularidade exibicional demonstrada por André Almeida como fator decisivo para se manter como titular nas opções de Rui Vitória.

Diogo Luís corrobora a ideia da permanência de André Almeida como a primeira opção para o corredor direito dos encarnados, mas considera que a contratação de Douglas apresente uma solução variada para Rui Vitória, em relação às características do versátil jogador português.

“A chegada de Douglas é uma incógnita. Mas, o Benfica necessitava de uma alternativa a André Almeida. Buta e Pedro Pereira não deram garantias. A chegada de Douglas justifica-se por ser uma alternativa com características diferentes de André Almeida, que permite ao treinador ter maior versatilidade nas suas opções, sobretudo em alguns jogos em que a equipa necessite de maior participação ofensiva por parte dos laterais. Quanto à titularidade, André Almeida é um relógio que funciona sempre certinho. Posteriormente, dependerá da evolução, nos treinos, de Douglas e do comportamento da equipa nas diferentes competições”, vincou Diogo Luís ao Bancada.

As lesões da experiência e a aposta na juventude para a baliza

O Benfica ataca 2017/18 com uma baliza pautada pela junção entre a juventude e a experiência. A Júlio César, juntaram-se Bruno Varela e, mais recentemente, Svilar. A saída de Ederson deixou um vazio nos encarnados, que seria, à partida, suprimido por Júlio César. Mas, o constante tormento das lesões para o veterano brasileiro levou ao surgimento de Bruno Varela como guarda-redes titular das ‘águias neste início de temporada. Serão então estas opções suficientes para uma época na qual os jogos ‘a doer’ estão apenas agora a começar?

Álvaro Magalhães colocou em questão se Bruno Varela terá, de facto, a ‘estaleca’ e experiência necessárias para os complicados duelos que se avizinham, situação que será, ou não, comprovada num breve futuro. “O Bruno Varela está a ganhar confiança… O Júlio César é um guarda-redes que já está em decréscimo, digamos assim. Agora vão começar os jogos mais complicados e a experiência é fundamental. O Varela, no jogo com o Rio Ave, já teve algumas falhas, mas o Benfica vai entrar num ciclo com mais dificuldades e aí será percetível observar até que ponto ele vai suportar essa pressão. Se conseguir passar esses exames, então perspetiva-se um guarda-redes de futuro e continuidade. Mas, é um setor em que, caso o Júlio César não esteja bem, é necessário um guarda-redes com experiência, para dar mais confiança”, considerou o antigo defesa dos encarnados ao Bancada.

Na ótica de Diogo Luís, a atual composição de guarda-redes do plantel do Benfica surge numa base da política de misturar experiência com juventude, levada a cabo pelos responsáveis dos encarnados. O ex-jogador das ‘águias’ recordou até os casos de sucesso de Oblak e Ederson.

“Na baliza essa tem sido uma realidade que tem dado frutos, com a descoberta de bons valores e com resultados desportivos. Existe sempre o receio em torno da capacidade de um jovem para dar garantias, sobretudo na baliza. Bruno Varela, apesar de não ter experiência, todos na estrutura do Benfica lhe reconhecem capacidade, pelo que, justifica correr o risco para verificar qual o comportamento dele em competição”, referiu Diogo Luís, que procedeu ainda à análise de desempenho de Bruno Varela no decorrer deste começo de temporada.

“Até ao momento, no campeonato tem estado bem. Tem cumprido e tem estado a crescer em termos de confiança. Paralelamente, existe Júlio Cesar, que será sempre uma boa solução, se tiver em condições. O Benfica tem uma estratégia que passa por um complemento de juventude e experiência, com o objetivo de obter resultados desportivos e ter ativos que possam gerar mais valias futuras. Também Svilar entra na equação e na política de investimento, financeira e desportiva, do clube.”

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