Portugal
“Os portistas que viveram isto vão lembrar-se daqui a 20 anos”
2019-05-14 09:50:00
Pinto da Costa faz um filme do campeonato e fala em pressões para entregar o título ao Benfica

Em entrevista ao jornal O Jogo, o presidente do FC Porto viaja pela temporada e defende que o campeonato se definiu com erros de arbitragem e decisões do VAR.

O dirigente dispara em todas as direções e sustenta a teoria de que houve, nesta ponta final do campeonato, uma estratégia para fazer do Benfica campeão.  

Num olhar sobre a ponta final da Liga, em que o FC Porto tentou recuperar a liderança, Pinto da Costa aponta erros de arbitragem que classifica de incompreensíveis, a favor dos encarnados, nos jogos diante do Feirense, SC Braga e Rio Ave. 

"São três jogos onde ainda gostava de saber quem, a partir daí, foi buscar os padres à sacristia? O que vimos? O Conselho de Arbitragem, e bem, verificou no final da época passada que havia árbitros que não tinham as mínimas condições para apitar: o senhor Bruno Paixão e o senhor Bruno Esteves. Deixaram de apitar e para estarem calados e não protestarem meteram-nos no VAR. Agora, um indivíduo que não tem categoria para arbitrar não pode ir para o VAR, que tem tanta ou mais influência nos resultados", acusa.

“No Feirense-Benfica, quando tocou a reunir, quem foram os intervenientes? O senhor João Pinheiro, que toda a gente conhece do seu envolvimento nos emails. Foram ressuscitá-lo para esse jogo e tiveram a peregrina ideia de ressuscitar o senhor Bruno Paixão para o VAR, tendo influência direta ao anular um golo limpo ao Feirense e ao inventar um penálti quer deu a vitória ao Benfica. Isto é inquestionável. Se foi para VAR por incompetência para arbitrar como pode estar em jogos que podem decidir o título?”, diz.

Nesta reta final, "o FC Porto teve um empate anormal em Vila do Conde porque dois penáltis claríssimos não foram marcados". Considera que "houve uma influência direta da arbitragem e do VAR nesse empate" e que depois da derrota frente ao Benfica, no Estádio do Dragão, "o campeonato decidiu-se em três sítios: Vila da Feira, Braga e Vila do Conde". Para Pinto da Costa é nesta fase que o título fica à mercê do conjunto da Luz: "São três jogos onde ainda gostava de saber quem, a partir daí, foi buscar os padres à sacristia? O que vimos?”, questiona.

Pinto da Costa refere que não compreende “os critérios de nomeações”. “Vamos para Braga: o senhor João Pinheiro vai para o VAR, o tal que mandava emails ao fulano daquela geringonça toda. O que aconteceu? Um penálti que não existe, outro que existe e não é marcado, uma agressão, nas barbas do árbitro, do João Félix que dava o segundo amarelo. E o Benfica passou lá” critica, sem receios de um castigo pelas palavras que profere.

Ainda nesta ponta final, estranha que o árbitro Luís Godinho tenha sido chamado para o centro de decisões e lembra que “em Moreira de Cónegos, expulsou o Danilo por ter ido contra ele quando ia a recuar”, um lance célebre.

“Havia tantos jogos importantes na I e na II Liga e o senhor Luís Godinho, que eles consideram um árbitro de primeira, foi para o VAR? Foi, mas para não ver. E o senhor Hugo Miguel, que foi o árbitro que aos 44 minutos em Alvalade, fechou os olhos ao segundo amarelo [a Bruno Fernandes], vai fazer este jogo. Pelo amor de Deus”, lamenta.

“Foi em 1958 mas ainda hoje se fala no Calabote”, continua. Porém, “daqui a 30 anos ainda se vão lembrar que o campeonato de 2019 foi decidido na Vila da Feira, em Braga e em Vila do Conde”, afirma.

"Os portistas que viveram isto vão lembrar-se daqui a 20 anos", enfatiza o presidente azul e branco.

Apesar de notar alguns resultados que não são normais no caso do FC Porto – como a derrota em casa com o Vitória de Guimarães –, Pinto da Costa lembra que numa prova de regularidade como o campeonato ocorrem sempre surpresas. E dá como exemplo a derrota do Benfica frente ao Moreirense. 

Nas derradeiras jornadas, o FC Porto tinha de recuperar dois pontos, cenário que deixava tudo em aberto. Mas deixa entender que existiram manobras de bastidores para que os encarnados se mantivessem na liderança.

“É uma tristeza que não haja um mínimo de verdade desportiva nos jogos de Vila da Feira, de Braga e de Vila do Conde. São três manchas negras na história deste campeonato. Só espero que na final da Taça de Portugal não apareça nenhum destes senhores porque seria o reconhecimento de que vale a pena errar a favor do Benfica” sustenta o dirigente portista.

Pinto da Costa refere que "haverá uma certa frustração" se os azuis e brancos perderem o campeonato, mas naturalmente faz um balanço da temporada com o cenário dessa conquista em aberto.

“Ganhámos a Supertaça, que é sempre um troféu importante, perdemos a Taça da Liga na final e nos penáltis, estamos na luta até ao último dia pelo campeonato e estamos na final da Taça de Portugal. Para quem esteve quatro anos sem ganhar nada, não pode ser considerada uma época má”, assume.

Pinto da Costa diz que o campeonato foi decidido dentro do campo pela arbitragem e fora do campo pelo VAR: “Mas há alguma dúvida?, pergunta.

A primeira parte desta entrevista ao jornal O Jogo foi publicada nesta terça-feira, na edição impressa.

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