Portugal
Os buracos nos Barreiros só podiam acabar com lenços brancos
2018-10-06 20:30:00
O Marítimo não conseguiu controlar a zona central do terreno e acabou vergado a uma pesada derrota

A história deste triunfo do Vitória de Guimarães (3-1) conta-se pelos “buracos” no meio-campo do Marítimo. É verdade que nos temos vindo a queixar, recentemente, da fraca qualidade dos jogos da liga portuguesa, talvez pelo excesso de preocupações defensivas que as equipas vão demonstrando. Mas a estratégia adoptada por Cláudio Braga esta tarde, no Estádio dos Barreiros, estava destinada ao fracasso e percebeu-se isso nos minutos iniciais quando Tozé, por um par de ocasiões, recebeu a bola sem qualquer tipo de pressão já bem dentro do meio-campo defensivo do Marítimo.

O Marítimo tem tem entrado em campo, nas últimas partidas, montada num 4x4x2, onde Joel e Rodrigo Pinho têm feito parceria na frente de ataque. Correa e Danny partem das alas e no meio jogam Fabrício e Jean Cléber. O problema é que Danny sente muitas dificuldades em recuperar o que deixou Jean Cléber e Fabrício para os três médios do Vitória de Guimarães: Wakaso, André André e Tozé - este último esteve particularmente bem esta tarde. Ora, está feita a superioridade para os vimaranenses na zona nevrálgica do campo.

O Vitória de Guimarães percebeu as carências maritimistas na zona central do campo e carregou. Aos onze minutos estava já em vantagem - golo de Alexandre Guedes -, mas antes do lance do golo já a bola tinha “cheirado” a baliza de Amir num par de ocasiões.

A verdade é que o marítimo reagiu bem ao golo do Vitória de Guimarães e partiu em busca do golo do empate, que não surgiu por mera infelicidade. Num dos lances mais vistosos do encontro, Danny rematou à barra da baliza de Douglas, que ficou pregado ao relvado a apreciar o movimento técnico do internacional português. Danny recebe com a coxa e remata sem que a bola bata no relvado. Era um golo de placa… mas não foi e o Marítimo foi para o intervalo a perder por 1-0.

Curiosamente, quando se esperava que a equipa de Cláudio Braga pressionasse na tentativa de chegar ao golo do empate o mais cedo possível, o Marítimo veio para a segunda parte com muito pouco esclarecimento e os lances de perigo junto da baliza de Douglas escassearam. Em contrapartida, o Vitória de Guimarães aproveitou muito bem a aparente desorientação insular e chegou ao 2-0, estavam decorridos 68 minutos de jogo, novamente por intermédio de Alexandre Guedes, o ponta-de-lança que não tinha qualquer marcado da presente edição da Primeira Liga.

O Marítimo nunca mais se encontrou e o que até então parecia uma equipa desorientada transformou-se num grupo de jogadores a jogar por sim. A equipa madeirense partiu-se e foi a vez de Ola John tirar partido dos muitos espaços na zona central do terreno. Foi numa dessas investidas que o extremo holandês ganhou uma grande penalidade por falta de Fábio China. Chamado a converter, André André não falhou e colocou uma pedra no assunto ao fazer o 3-0, aos 80 minutos.

Por esta altura já a onda de insatisfação que se gerava nas bancadas do Estádio do Barreiros se fazia ouvir. Nem o golo de belo efeito de Correa, com um remate de pé esquerdo de fora da área, acalmou os ânimos dos maritimistas que, para além dos muitos assobios, utilizaram do expediente mais antigo para mostrar a Cláudio Braga que tem de arrepiar caminho: os lenços brancos.

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