Portugal
Os 23 de Eduardo Botelho
2018-05-13 14:00:00
Na rubrica 'Os meus 23', os jornalistas e colunistas do Bancada colocam-se no papel do selecionador nacional.

Os meus 23:
Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes e Cláudio Ramos
Defesas-centrais: Pepe, Rolando, Pedro Mendes e Rúben Dias
Defesas-laterais: Ricardo Pereira, Cédric Soares, Fábio Coentrão e Mário Rui
Médios: William Carvalho, Rúben Neves, João Moutinho, Adrien Silva, João Mário e Bruno Fernandes
Avançados: Cristiano Ronaldo, André Silva, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, Gelson Martins e Quaresma.

Fernando Santos não terá tarefa fácil. Sejam quais forem as suas escolhas, haverá algum lateral, algum médio, e algum extremo de grande qualidade que ficarão a ver o Mundial no sofá. Essa é a boa dor de cabeça. A má está no centro da defesa: à exceção de Pepe, os defesas centrais que irão à Rússia não dão as mesmas garantias que os jogadores das outras posições.

Na baliza, Patrício é o titular indiscutível e Anthony Lopes a sua sombra. A discussão poderá ser feita à volta do “terceiro” guarda-redes, vaga que deverá ser ocupada pelo veterano Beto, mas que deveria ir para Cláudio Ramos, o guarda-redes que tem sido um dos melhores e mais regulares jogadores do CD Tondela nestas três épocas de Primeira Liga.

O centro da defesa é onde surgem todos os problemas. Bruno Alves, aos 36 anos, terminou a temporada como suplente do Rangers, na Liga Escocesa, a 26.ª do ranking da UEFA, atrás das Ligas de países como Chipre, Azerbaijão ou Bulgária. José Fonte, de 34, joga no Dalian Yifang, o penúltimo classificado da Liga Chinesa. Luís Neto é suplente no Fenerbahçe, na Turquia. Nenhum destes jogadores está, portanto, a competir ao mais alto nível. Pepe e Rolando são os jogadores que mais garantias dão para o centro da defesa, seguidos de Pedro Mendes, titularíssimo no Montpellier, e Rúben Dias, que se vem afirmando no Benfica.

Para a lateral esquerda, a boa época de Fábio Coentrão justifica um lugar na Rússia, mas a sua frágil condição física torna demasiado arriscado levar também Raphael Guerreiro, outro jogador muito propenso a lesões. Assim, entra Mário Rui. Na direita, Cédric é a aposta mais regular de Fernando Santos e, sem deslumbrar, cumpre sempre. A vaga que sobra deveria premiar a super época de Ricardo Pereira no FC Porto, que contrastou com a época abaixo das expectativas de Nélson Semedo no seu primeiro ano em Barcelona.

No meio campo e com a lesão de Danilo, Rúben Neves é o melhor jogador para ser alternativa a William Carvalho; Bruno Fernandes tem lugar garantido pela qualidade que vem mostrando no Sporting e Moutinho pela sua fiabilidade. Sobre a qualidade de João Mário nunca houve dúvidas e o final da época no West Ham parece estar também a trazer de volta a sua melhor forma. O último lugar por ocupar no meio campo português é o que mais dúvidas traz. Manuel Fernandes, no Lokomotiv, e Sérgio Oliveira, no FC Porto, fizeram melhores temporadas do que Adrien Silva, mas o bom entendimento que o jogador do Leicester City tem com William Carvalho, fruto de várias épocas a jogarem juntos, pode ser determinante.

Na frente, Ronaldo e André Silva já mostraram ser uma dupla de sucesso na Seleção, enquanto Gonçalo Guedes convenceu toda a gente com a sua excelente temporada em Valência, tendo ainda a seu favor o facto de poder jogar como ala ou como segundo avançado. Bernardo Silva e Gelson Martins são os melhores extremos portugueses da atualidade e Quaresma já mostrou várias vezes ter uma química especial com Ronaldo. De fora, ficam Nani, um dos jogadores mais importantes no Euro 2016 e que, com 31 anos, está longe de estar velho, mas que fez uma péssima época; e outros jogadores como Bruma, Ronny Lopes ou Diogo Jota, garantias de que o futuro de Portugal está cheio de opções, mas que, para já, ainda têm de esperar. Quanto a Ederzito… foi uma história bonita.