Portugal
"O que Jorge Jesus fez foi muito grave", diz Bruno de Carvalho
2019-12-06 13:25:00
Ex-presidente nega que tenha ordenado mudança da hora do treino no dia do ataque

O antigo presidente do Sporting negou que tinha sido da sua responsabilidade o agendamento do treino leonino para a tarde do ataque a Alcochete. Na rádio 'Estádio', o ex-dirigente publicou um áudio de Jorge Jesus onde se ouve o técnico a falar sobre a passagem do treino para a tarde. Bruno de Carvalho diz que o que Jesus diz "é grave".

"Jorge Jesus diz claramente nesta intervenção que quem alterou o treino foi Bruno de Carvalho. 'Com que intenções não sei mas fica em segredo de justiça. Mas fica porque tenho testemunhas'. Este tipo de intervenções são intervenções que devem as pessoas pensar. Duas testemunhas que ele refere dizem que foi uma mera sugestão minha. O Jorge Jesus deixa no ar que podia haver qualquer coisa aqui nesta alteração. Isto é muito grave. O que Jorge Jesus fez foi muito grave. E isso é que devia ser analisado", afirmou o ex-dirigente.

Bruno de Carvalho diz que a mudança da hora do treino não foi por si ordenada. "É falso. Estas meias verdade consomem-me", afirmou Bruno de Carvalho, dizendo que sugeriu e não ordenou. 

"Chegamos à conclusão que isto é outra fantasia que não faz sentido nenhum. As mensagens respondem a tudo isto. Há centenas de mensagens que podem ser analisadas."

Bruno de Carvalho justifica que Jesus foi despedido após o jogo da Madeira mas justifica que não podia vir logo aí confirmar de forma pública.

"Tinha de fazer as coisas todas bem", referiu, lembrando que estavam "milhões de indemnização envolvidos" e recordando que nessa altura saiu a público o caso 'Cashball' e por essa razão o então técnico não teve nota de culpa pelo despedimento.

"Diz que não recebeu nota de culpa por duas razões. Não houve reunião com o departamento jurídico por causa do 'Cashball' e depois porque aconteceu o que aconteceu".

"Toda a narrativa que as pessoas deixaram construir em volta disto foi muito feio", diz, não esperando que Jesus seja considerado arguido. "Ele pode agora vir dizer que quando disse aquilo não era bem aquilo que queria dizer. Ele não mentiu. Tinha aquele problema após o trauma que a sociologia e a psicologia explicam. Era uma mera sugestão. É grave."