Portugal
"O Estado continua a ter medo do futebol. Há uma política de filhos e enteados"
2020-02-13 16:50:00
Entrevista ao Bancada do antigo vice-presidente do Vitória de Guimarães

Antigo vice-presidente do Vitória de Guimarães e ex-membro das direções lideradas por Pimenta Machado, Luís Cirilo confessa ao Bancada que olha com preocupação para a realidade atual do futebol português e aponta o dedo ao Estado.

"O Estado, face a tudo que se sabe de há décadas a esta parte mas com especial enfoque nos últimos tempos, continua a ter medo do futebol e recusa ter nele a intervenção necessária à reposição da verdade desportiva e ao tratamento de todos os clubes por igual mantendo também ele uma política de filhos e enteados conforme a dimensão associativa de uns e de outros", refere Cirilo, ele que também chegou a desempenhar funções de Governador Civil do distrito de Braga e foi secretário-geral adjunto do PSD na liderança de Durão Barroso.

Cirilo justifica esta ideia com exemplos. "Dos passivos bancários às dividas fiscais passando por multiplos processos judiciais que ou não andam ou resultam em perdões."

Questionado sobre eventuais diferenças entre os anos 80 e 90 nos corredores do futebol nacional e os dias de hoje, o ex-vice do Vitória explica que "sendo verdade que hoje a disputa é a dois, algumas coisas mudaram e quase todas para pior."

E é para o videoárbitro que sobram críticas nesta entrevista ao nosso jornal.

"Noutros países contribui para a verdade desportiva" mas em Portugal "apenas tem como resultado vergonhas quase semanais com critérios e decisões diferentes consoante os clubes a que se aplicam as suas inteervenções. Em suma apenas veio para dar mais poder a quem já tinha poder demasiado."

Tudo somado, o antigo dirigente do Vitória de Guimarães nota que a "luta hoje é a dois" e "se os outros são 'elementos de decoração' também se podem queixar de si próprios".

"Porque nada fazem para alterar o status quo. Vale, e esse é um factor de esperança, que perante a inoperância das suas direções em contestarem o lamaçal em que o nosso futebol está mergulhado são os adeptos que um pouco por todo o país manifestam uma indignação e assumem uma contestação como não havia memória".