Portugal
"O doutor Varandas quis alterar as coisas...", diz Sousa Cintra
2020-02-14 10:50:00
"Entraram agora numa guerra desenfreada, não sei onde isto vai parar", lamenta o ex-presidente do Sporting

Sousa Cintra lamenta o momento que o Sporting vive não apenas ao nível dos resultados desportivos mas também no clima de tensão entre as claques e a direção.

"Entraram agora numa guerra desenfreada, não sei onde isto vai parar", referiu o ex-presidnete leonino, em declarações aos jornalistas, à margem do depoimento no âmbito do julgamento do ataque à academia.

Sousa Cintra mostra-se ainda triste com as decisões tomadas pelo atual presidente.

"O doutor Varandas chegou e quis alterar as coisas. Na campanha, disse que queria unir os sportinguistas e não foi isso que fez. Mas como ia fazer isso daquela forma? Manda o treinador embora, o Peseiro tinha estado no Sporting um ano e pouco, levando o clube à final da Taça UEFA e perdeu o campeonato desse ano no último jogo com o Benfica. (...) Cinco treinadores depois disso?", deixou no ar a questão, recordando o que fez no pós-Bruno de Carvalho em Alvalade.

"Quando peguei no Sporting, havia aquela situação que todos conhecem. Tudo se resolveu naquela altura, o Sporting conseguiu recompor-se e tive pena de as coisas não terem corrido como a comissão fez", lamentou, insistindo, como já o fez em outras alturas, que entregou a equipa a Frederico Varandas na liderança da I Liga.

"A comissão fez um trabalho brilhante, recuperou jogadores e deu uma alma nova ao clube. Quando saí do Sporting, o clube estava em primeiro lugar e já tinha jogado como Benfica na Luz e com o SC Braga. O clube estava animado, o treinador estava a dar conta do recado, todos os jogadores estavam comprometidos com o projeto de sermos campeões e de darmos uma grande lição ao futebol depois do que tinha acontecido".

Sousa Cintra, que presidiu ao clube entre 1989 e 1995 e ocupou a presidência da SAD durante dois meses, por nomeação, após a saída de Bruno de Carvalho, falava à entrada do tribunal de Monsanto, onde foi ouvido como testemunha abonatória no processo da invasão à academia do clube, em maio de 2018.

O antigo presidente lamentou que depois da tomada de posse de Frederico Varandas como presidente, em setembro de 2018, o trabalho de comissão de gestão não tenha continuado.

Cintra, que entre junho e setembro liderou a SAD do clube, garantiu que nesse período “todos estavam comprometidos em ser campeões”.

O antigo dirigente considerou que o atual clima de crispação entre a direção e as claques “poderia ter sido evitado”, admitindo, no entanto, que Frederico Varandas “tem as suas razões com as claques”.

“O importante é haver diálogo, nunca vi ninguém ganhar alguma coisa com guerras”, acrescentou.

Menos de dois meses depois de tomar posse, Frederico Varandas dispensou José Peseiro, o treinador escolhido pela comissão de gestão, e contratou o holandês Marcel Keizer, de cujos serviços viria também a prescindir um ano depois de ser eleito.