Portugal
Luís Castro: "No futebol português deixamos de ser honestos intelectualmente"
Redação Bancada
2018-03-12 21:40:00
Luís Castro criticou a lei dos emprestados e lamentou o clima de suspeição que se vive no futebol em Portugal.

O GD Chaves recebeu hoje o Sporting, jogo que terminou com a derrota da equipa flaviense por 2-1, um resultado que Luís Castro atribuiu à eficácia do Sporting, elogiando a exibição da sua equipa. "Prestação boa, resultado mau. Quando lançamos o jogo pensamos que poderíamos ter menos oportunidades do que aquelas que tivémos, mas também pensámos que poderíamos ter atingido um melhor resultado. Não conseguimos, a eficácia do Sporting foi forte. Em quatro oportunidades que teve concretizou duas e nós das cinco que tivémos não as conseguimos concretizar. O futebol é eficácia, no futebol justiças ou injustiças não interessam, o que interessa é o resultado final".

Foi já em conferência de imprensa que Luís Castro abordou a questão dos emprestados (frente ao Sporting não pôde contar com Domingos Duarte e Matheus Pereira), bem como todo o ambiente de suspeição que envolve o futebol português. "Pressupõe-se que um jogador que esteja emprestado não tem condições para jogar contra o clube de origem. É uma desconfiança que se cria com isso e como não desconfio das pessoas jamais criaria uma lei dessas. Andamos neste momento cheios de desconfianças uns dos outros, e para travar situações de anormal que possam acontecer durante os jogos, impossibilita-se os jogadores de jogarem. Não estou de acordo mas a minha opinião é só mais uma, não vale nada no futebol português. Hoje em dia no futebol português o princípio que preside é o da desconfiança. É tudo uma cambada de desonestos. Chegámos ao ponto em que se perdemos por três, quatro ou cinco, estamos vendidos não sei a quem. Se ganhamos, estamos comprados não sei por quem. No futebol português deixamos de ser honestos intelectualmente. Acho que somos uns atores nesta peça de teatro que está montada. Eu treino e levo a minha equipa a jogo. Quando não quiser, fechamos e há mais um ator a ir para casa", desabafou.

Após o jogo frente ao Sporting, Luís Castro aproveitou ainda para explicar a filosofia que está por detrás do futebol do GD Chaves e o porquê de insistir numa cultura de posse de bola. "Quanto mais tempo tivermos a bola em nosso poder, o adversário não nos cria perigo. É uma forma de conseguirmos chegar juntos à frente, e conseguir criar oportunidades resultantes disso, defendendo e atacando juntos. Aqui e ali tivemos muitas dificuldades para que isso acontecesse. Estávamos a jogar contra uma das melhores equipas do campeonato e quando assim é fica mais complicado. Os jogadores mesmo debaixo dessas dificuldades conseguiram jogar por dentro, conseguiram jogar por fora, variar corredores, fazer cruzamentos, criar situações de finalização de fora da área, conseguiram fazer o que uma equipa pretende fazer quando vai a jogo".

"Quando apanhamos uma equipa que ainda tem muitos objetivos pela frente, quem não é tão poderoso, sente mais dificuldades", resumiu o técnico flaviense.

Luís Castro abordou ainda a colocação de Jorginho em campo, substituição que defende ter tido um forte impacto na partida: "Quando lançamos o Jorginho, o que pensámos foi ter alguém que conseguisse entrar em rutura na defensiva contrária. Arriscamos por ali. Voltamos a equilibrar o jogo, acho que até ficámos um pouco por cima, o Jorginho conseguiu através desses movimentos desestabilizar aqui e ali a equipa do Sporting, abriu espaços para outros aparecerem, mas infelizmente ficámo-nos só pelas intenções e quando assim é, ficamos curtos".

Sê o primeiro a comentar: