Portugal
Jorge Jesus tentou com um sopro, mas só lá foi com a bola demolidora
2018-01-10 23:45:00
Foi depois de entrarem Bas Dost e Bruno Fernandes que o Sporting deitou abaixo a resistência do CD Cova da Piedade

Jorge Jesus começou por tentar derrubar o CD Cova da Piedade com a força de um sopro, mas só lá foi quando usou a bola demolidora que pensava poder poupar para desafios futuros. A primeira parte foi de sustos para o Sporting, a equipa entrou muito macia, e o Piedade, sempre que conseguiu passar a primeira cortina de pressão dos leões, causou perigo para a baliza de Rui Patrício, que, sem tocar na bola, viu-a bater nos poste por duas vezes antes de ir para o descanso.

As intenções do Sporting até pareciam boas, depois de jogados os primeiros minutos. A equipa tentou recuperar a bola em zonas avançadas e, por momentos, o CD Cova da Piedade sentiu muitas dificuldades para lidar com esta situação. A verdade é que os leões perderam alguma da intensidade inicial e ficaram a nu algumas das fraquezas de que o onze preparado por Jesus padecia. O Sporting falhava em atacar com perigo e defensivamente dava muito espaços.

Acuña é uma sombra do jogador que chegou no início da temporada. O argentino está em claras dificuldades físicas e com isso torna-se o seu jogo muito previsível. No lado direito estava Bruno César, um esquerdino. A ideia era dar espaço para as investidas de Ristovski pela asa direita, mas foi por aí, também, que a equipa orientada por Bruno Ribeiro tentou ferir o Sporting com saídas rápidas para o ataque, uma vez que a pressão leonina foi afrouxando.

Podence foi na primeira parte o principal dínamo do ataque do Sporting ao cair nos espaços entre os laterais e os centrais do Piedade explorando o apoio, ora de Doumbia ora do extremo mais próximo, para em tabela criar alguns espaços na defensiva contrária. Mas ia sendo muito pouco. Os cruzamentos iam surgindo, uma vez da direita, outra da esquerda, mas o resultado era sempre o mesmo. Chegou a ver-se o pequeno Podence a saltar a uma bola, bem cruzada, diga-se, mas que passou a meio-metro da cabeça do pequeno jogador, mesmo depois deste ter saltado.

Defensivamente os leões iam permitindo ao Piedade criar momentos de galvanização como foram os dois lances que acabaram com a bola a embater nos postes da baliza de Rui Patrício. Com Bryan Ruiz na posição “oito”, os leões ganham maior definição, mas perdem intensidade na hora de recuperar uma vez ultrapassada a primeira cortina de pressão. Esta situação provocou grande desgaste ao já desgastado Acuña, que muitas vezes se viu obrigado a correr em recuperação.

As coisas não correram bem ao Sporting na primeira parte. E Jorge Jesus percebeu que não ia lá com meia dúzia de sopros. O forte montado pelo Cova da Piedade só ia tombar com o uso de uma bola demolidora e foi isso que fez o treinador dos leões: chamou Bas Dost, o melhor marcador da equipa, e Bruno Fernandes, o segundo melhor marcador da equipa. A ideia era simples. Jorge Jesus já percebeu - como todos nós - que Bruno e Dost se entendem só com o olhar.

Normalmente Bruno Fernandes recebe a bola num espaço entre o lateral esquerdo e o central adversários e depois procura adivinhar qual será o movimento de Dost. Já o holandês, espera atrás do segundo defensor - ao segundo poste - e, ou dá uns passos à frente, ou espera no segundo poste que a bola lá chegue. Não foi assim que marcou hoje, mas foi de um lance destes que nasceu o canto que deu origem ao segundo golo do Sporting.

E foi assim, tal e qual uma bola demolidora que o Sporting pôs fim à resistência do CD Cova da Piedade que sobreviveu aos sopros de uma primeira parte fraca da equipa remendada que Jorge Jesus fez entrar.

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