Portugal
Futebolistas "jogados para a linha de tiro, sem coletes, tipo cobaias"
2020-05-11 15:15:00
Técnico do Portimonense diz que no futebol português "atirou-se barro à parede e não há coerência"

Paulo Sérgio, treinador do Portimonense, entende que clubes, jogadores, treinadores e outros agentes desportivos foram "jogados para a frente de batalha, para a linha de tiro, sem colete à prova de bala, tipo cobaias" com o regresso aos treinos para retomar o campeonato.

Ciente de que este regresso é "prematuro e quase irresponsável", em entrevista ao jornal O Jogo, o técnico lamenta como as coisas têm sido realizadas "em nome da retoma económica".

Paulo Sérgio sustenta que "a vida e saúde dos profissionais estão a ser jogadas à sorte" e mostra-se desagradado como as coisas têm sido feitas no futebol nacional desde a I Liga aos escalões inferiores.

"Atirou-se barro à parede e não há coerência", criticou o técnico, lamentando que se fale na possibilidade de realização de jogos em terreno neutro.

O treinador do Portimonense, que está em zona de despromoção, diz que "há muita coisa" que lhe parece "descabida".

Uma outra medida que não lhe colhe o agrado é ter de jogar em estádios sem público. 

"Não tem piada nenhuma ser à porta fechada", realça, compreendendo, contudo, que esta solução acabe por vingar se a Liga for retomada.

O regresso do campeonato estará sempre dependente das recomendações das autoridades sanitárias e do governo.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) assinalou que os participantes na I Liga de futebol têm “diferentes níveis de responsabilização” no regresso à atividade durante a pandemia de covid-19, mas que não compete ao organismo regular essa matéria.

Numa altura em que alguns futebolistas têm questionado um código de conduta que deverá ser assinado pelos jogadores para que seja retomada a competição, a DGS já veio a público assegurar que a assinatura deste código “não desresponsabiliza todos os outros intervenientes no processo”.