Portugal
Ferro. O Kiko que ganhou um apelido no ginásio e se inspira em Vidić e Piqué
2019-03-15 10:35:00
Central tem estado em destaque ao serviço do Benfica

Em miúdo, o futebol era apenas o melhor dos sonhos para Francisco. E o melhor dos sonhos sempre esteve de mãos dadas com a bola junto da baliza. E no melhor dos sonhos, os olhos do Francisco preferiram defender a baliza de 'ataques' bem mais do que marcar golos ou fintar adversários. O melhor dos sonhos nem sempre esteve ao alcance de um simples percurso, porque a estrada do futebol, como a da vida, faz-se devagar e paulatinamente. Como dita o fado tão português, às vezes 'é preciso perder para depois se ganhar e mesmo sem ver acreditar'. E foi essa crença que levou Francisco a chegar onde já está. Mas vamos recuar nesta história para conhecer aquele que hoje dá pelo nome de Ferro.

Em 2005, então com 8 anos, Kiko (como era conhecido) começou a pensar que o futebol teria um papel mais central na sua vida, quando entrou para as escolinhas da Oliveirense, clube da terra natal, em Oliveira do Azeméis. Ainda que no começo, a entrada no futebol tenha acontecido por lazer. 

Rapidamente, os olheiros do Benfica perceberam que o emblema da águia devia colocar o jovem na sua órbita e foi integrado no clube da Luz, ainda que cedido a outros emblemas através de protocolos de formação com o Estarreja e o Taboeira. Em 2011, com 14 anos, integrou o Caixa Futebol Campos, ainda que, dois anos antes, já tenha estado por Lisboa. Nessa altura, esteve 18 dias no Seixal. As saudades de casa, porém, fizeram-no regressar a Oliveira de Azeméis para junto da família.

Esse era o tempo em que Kiko, um jogador em potência, era demasiado 'magricelas' para atuar como defesa. A solução passou, então, por passar horas e horas no ginásio... a puxar ferro.

Fácil está, pois, de perceber agora a origem do apelido com que os benfiquistas conhecem o Kiko de Oliveira de Azeméis, que nasceu no seio de uma família tradicional com o nome de Francisco Reis Ferreira ao 26.º dia do mês de março de 1997.

Em Lisboa nem sempre as coisas foram simples por causa das saudades da família mas também de outras coisas. Em jeito de brincadeira, em entrevistas, Ferro costuma confessar que, no princípio não foi fácil arranjar um cabeleireiro 'à maneira' para as suas preferências. Ah, e depois a francesinha não era bem igual ao que estava habituado a comer mais a norte.

Já no Benfica, o percurso de Ferro fez-de avanços e recuos, de dar um passo atrás para dar dois na frente, como na época 2014/15 quando foi emprestado ao Casa Pia (onde chegou a ser capitão), antes de voltar ao centro de formação de jogadores do clube benfiquista.

Se uns olham para Ferro como um central à Hummels, outros consideram que tem perfil de capitão à Chiellini. No entanto, as referências de Ferro são outras, até porque este inspira-se no estilo de jogo de Gerard Piqué e tem como referência, no passado, o sérvio Nemanja Vidić, antigo jogador do Manchester United.

Amante de jogos de ténis entre amigos nos tempos livres, Ferro cumpriu todas as etapas nos escalões de formação da seleção nacional. 

Se Francisco Ferreira é já um dos nomes mais lendários da história do Benfica, por causa do 'perfeito capitão' que atuava como médio esquerdo entre as décadas de 40 e 60 no emblema da águia, agora há um outro Francisco Ferreira a dar que falar.

Com contrato com o Benfica até 2023 e uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, os três golos em nove jogos são uma espécie de cartão de visita para o central que não se limita a defender mas também em atacar as balizas adversárias. O Kiko de Oliveira de Azeméis tem 21 anos e todos os sonhos do mundo.

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