Portugal
Façam uma estátua ao Bruno
Diogo Cardoso Oliveira
2018-12-09 22:10:00
É sempre interessante sair do relvado ganhando 4-1 num jogo que, na verdade, até nem correu bem.

O Sporting não foi tão brilhante como já tem sido, mas conseguiu, mesmo assim, golear o Aves por 4-1, neste domingo, em Alvalade, num jogo que provou, uma vez mais, que Bruno Fernandes beneficiou muito com a chegada de Marcel Keizer, sobretudo pelo um estilo de jogo que lhe assenta muito bem. Hoje, voltou a mostrar uma tremenda classe, qualidade de passe, envolvimento na circulação e capacidade de criar e definir, ajudando - com dois passes tremendos - os leões a construir a goleada, num dia em que as coisas nem saíram muito bem à equipa. Façam uma estátua ao Bruno. Ou uma vénia, se estátua já for um exagero.

As equipas não foram brilhantes, mas, por estranho que pareça, o jogo até foi interessante de ver. Houve muito espaço para jogar, muitas saídas rápidas e, sobretudo na primeira parte, algumas boas jogadas de envolvimento: o Sporting com triangulações curtas no centro, antes de colocar a bola no corredor – o princípio básico do atrair ao centro e criar isolamentos aos criativos, na ala – e o Aves em boas transições, sempre com muita gente em zona de definição.

No geral, não foi uma boa primeira parte do Sporting, excetuando os primeiros minutos. Apesar de os leões terem tido bola e de terem conseguido as tais triangulações, estas foram mais em zonas inúteis do que em zonas de definição de jogadas. O Aves aproveitou-o para recuperar várias bolas em zonas ofensivas, mostrando, até, uma coisa rara: inteligentemente, não “queimou” um avançado em pressão isolada à saída de bola adversária, juntando-o mais à linha média, havendo pressão em bloco. Com isso, vieram várias recuperações de bola, dado que o Sporting, na habitual ideia de jogo, tentou jogar curto e a poucos toques, sim, mas falhou muitos passes. E o Aves saiu sempre com muita gente. É claro que é difícil convencer equipas mais humildes a fazer isto, mas, nesta vertente do jogo, há matemática pura: mais jogadores na transição ofensiva = mais linhas de passe = mais probabilidade de criar perigo. E o Aves criou.

Mas vamos à parte concreta da coisa: o Aves adiantou-se aos 17 minutos, num lance de bola parada definido por Defendi, de cabeça, e o Sporting empatou aos 40, por Dost, de penálti. Golo na altura certa. Aos 45+2, mesmo antes do intervalo, Nani fez o 2-1, num tremendo pontapé (com desvio num adversário). Se o outro já tinha sido na altura certa, este ainda foi mais. O terceiro veio aos 48 minutos, num grande cruzamento de Bruno Fernandes a ser muito bem cabeceado por Bas Dost. Belo golo e um Sporting muito eficaz, mesmo num dia "assim-assim" na qualidade de jogo.

Quando a expulsão de Acuña, por acumulação de amarelos, fez o Aves subir a zona de pressão e encostar o Sporting à sua área… veio mais um golo na altura certa. Incrível passe de Bruno Fernandes – não falámos de estátua à toa – e Diaby correu, correu, correu e finalizou com classe. Os leões "mataram" o jogo.

E matar não é só metáfora, dado que, a partir daqui, houve pouco futebol. O Aves deixou de conseguir jogar, até porque a arma que tinha usado – transições e profundidade – deixou de ser viável, porque o Sporting baixou as linhas. O jogo caminhou para o final sem grandes motivos de interesse.

O Sporting venceu, está de regresso ao segundo lugar e é sempre interessante sair do relvado ganhando 4-1 num jogo que, na verdade, até nem correu bem.

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