Portugal
E tudo Sparagna estragou
Luís Santos Castelo
2018-09-29 22:10:00
O Rio Ave recebeu e bateu o Boavista por 2-1 na sexta jornada da Liga

É verdade: o jogador destacado no título é Sparagna, defesa do Boavista, mas pelos piores motivos. O francês cometeu dois erros grosseiros que ajudaram o Rio Ave a conquistar três pontos numa partida em que Carlos Vinícius, avançado dos vilacondenses, marcou dois golos de fazer inveja a todos aqueles que complicam à frente do guarda-redes adversário. No final, os axadrezados carregaram e estiveram muito perto do empate, mas não foram além do golo de honra.

A primeira meia hora do desafio em Vila do Conde foi de grande qualidade. O ritmo era muito alto, o jogo estava muito aberto e não faltava espaço às duas equipas para a progressão para o ataque, o que só beneficiou o espetáculo. Os minutos iniciais viram cantos dos dois lados, remates em excelente posição (André Claro devia ter feito muito melhor quando foi servido na perfeição por Rochinha aos 5') e entusiasmo de parte a parte. O Estádio dos Arcos teve motivos para festejar pela primeira vez logo aos 14', quando o marcador foi inaugurado. Sparagna falhou o passe e entregou a bola a Carlos Vinícius, que demonstrou neste jogo um talento especial para aproveitar os erros adversários. Perante Leo Jardim, o avançado desviou-se e rematou com toda a tranquilidade para a baliza deserta.

O golo, ainda assim, não alterou em nada a toada do encontro. Continuou o alto ritmo, continuaram os espaços, os remates, os cantos. Aos 25', Vinícius atirou à trave naquele que seria um excelente golo e logo a seguir André Claro tentou responder um remate acrobático que não saiu da melhor forma. Pouco passava dos 30' quando Sparagna voltou a borrar a pintura com Carlos Vinícius novamente com influência. O defesa derrubou o avançado quando este ia isolado para a baliza e viu o cartão vermelho direto, o que mudou tudo. Se até aí o jogo estava rápido e intenso, a partir desse momento passou a ser mais lento, com o Rio Ave a controlar com toda a naturalidade. Não foi de estranhar a chegada do 2-0, quando Vinícius voltou a surgir completamente sozinho na área e só teve de escolher o lado para onde finalizar. Fê-lo bem e o Rio Ave foi para o intervalo a vencer por 2-0 graças aos erros graves de Sparagna e a um mortíferio Vinícius, jogador emprestado pelo SSC Nápoles.

A segunda parte foi muito diferente. O jogo adormeceu, com a formação da casa a aparentar ter tudo sob controlo. O Boavista era quem precisava de marcar e tentava fazê-lo, mas de forma bastante tímida. Do outro lado, era Galeno - um jogador claramente acima dos restantes - a agitar as águas e a dar trabalho à defesa boavisteira, ainda que com alguns problemas de definição no último terço.

Assim, nada fazia adivinhar que os últimos 15 minutos fossem de grande emoção. Rafael Lopes reduziu aos 75' ao responder a um canto com um cabeceamento sem hipóteses para Leo Jardim e a partir daí só deu Boavista. Logo a seguir ao golo, Rafael Costa acertou em cheio na barra da baliza do Rio Ave na conversão de um livre direto que, em caso de golo, seria brilhante. A cerca de dez minutos dos 90' o Boavista ficou reduzido quando Raphael Silva saiu lesionado e Jorge Simão já não tinha mais substituições, o que não ajudou a equipa na missão de tentar sair de Vila do Conde com um empate. O Rio Ave estava assustado e teve de aguentar a pressão final do Boavista até ao último apito, o que acabou por acontecer. A vitória não fugiu aos comandados de José Gomes, ainda que, por momentos, tenha estado perto de o fazer.

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