Portugal
“Decisão não pode ser emocional nem tomada de impulso”, alerta Costa
2020-04-29 11:55:00
Primeiro-ministro destaca “vontade coletiva” do regresso dos campeonatos, mas afasta decisões impulsivas

O regresso dos campeonatos esteve em discussão, nesta terça-feira, numa reunião que proporcionou um raro encontro entre dirigentes de Benfica, FC Porto e Sporting.

Por ironia, em tempos de confinamento, Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa e Frederico Varandas estiveram lado a lado, num encontro em São Bento, com o primeiro-ministro como anfitrião, e que contou também com as presenças dos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Pedro Proença.

Depois de uma “análise aos termos em que pode ser efetuada a retoma dos campeonatos profissionais e o levantamento de restrições na área do desporto”, António Costa recorreu às redes sociais para transmitir uma mensagem: apesar de uma vontade “imensa” do regresso dos campeonatos, nenhuma decisão será tomada por impulso.

“O futebol é mesmo o desporto Rei. A vontade que sentimos de voltar a assistir ao vivo a um jogo de futebol e de vibrarmos com os golos da nossa Seleção Nacional é imensa. Sendo essa, acredito, a nossa vontade coletiva, essa decisão não pode ser emocional nem tomada de impulso”, escreveu o chefe de Governo, na sua conta no Twitter, onde partilhou algumas imagens da reunião.

Na mesma rede social, noutro tweet, António Costa divulgou outra mensagem que remete para a defesa intransigente da saúde de atletas e outros profissionais envolvidos nas competições.

"A retoma das competições de futebol, quando for decidida, terá de ser sustentada em fundamentos técnicos de saúde. Não podemos correr riscos que ponham em causa a saúde nem dos atletas nem dos adeptos", escreveu o líder do executivo.

Há, porém, um plano para o regresso, elaborado pela Liga. No que se refere a competições de futebol profissional, aquele organismo defende que os clubes devem garantir a higienização nos estádios após a retoma das competições e que à FPF cabe a responsabilidade por testes à covid-19 nas equipas de arbitragem.

Num esboço sobre a retoma progressiva à competição, refere-se que o regresso da I e II Liga estará sempre "dependente das indicações das entidades oficiais", prevendo-se também um conjunto de regras que os clubes devem cumprir, como a higienização de "todos os espaços" e a disponibilização de desinfetante nos balneários.

Quanto à segurança ao jogo, o documento prevê que os efetivos da segurança pública e da segurança privada a circularem na zona técnica seja "em número reduzido", mantendo o distanciamento social e uso obrigatório de máscara ou viseira.

Durante os jogos, as tribunas presidenciais deverão ter um número máximo de cinco elementos, "com distanciamento social e uso de equipamento de proteção, nomeadamente máscaras, luvas e desinfetantes".

Também os apanha-bolas devem estar munidos de máscara e manter uma distância mínima entre si, devendo desinfetar as mãos antes, ao intervalo e no final do jogo. As bolas que saem do estádio apenas podem ser utilizadas depois de desinfetadas.

A decisão sobre uma eventual retoma deverá ser anunciada nesta quinta-feira.