Portugal
Da guerra colonial ao problema com Eriksson. As grandes histórias de João Alves
2020-03-26 16:05:00
Em entrevista à revista Sábado, o técnico recordou momentos da sua carreira enquanto jogador

Campeão nacional ao serviço do Benfica e há mais de quatro décadas enquanto treinador, João Alves é uma das figuras mais respeitadas no panorama do futebol nacional.

Atualmente ao serviço do Cova da Piedade, o técnico de 67 anos recorda os tempos em que andou na tropa – na altura obrigatória – e de uma história que envolve o Montijo e “90 contos”, numa altura em que Portugal estava em guerra com as colónias.

“No fim do ano [1973] fui mobilizado para a Guiné. Estávamos perto do 25 de abril e as coisas estavam no limite. Até que arranjei um rapaz para ir no meu lugar. Precisava de 90 contos e não arranjei o dinheiro. O Benfica não me deu esse valor porque não contava comigo”, começou por explicar João Alves em entrevista à revista 'Sábado'

“O Montijo chegou-se à frente e pagou ao tal rapaz para ir no meu lugar. Felizmente, o 25 de abril aconteceu e passado três ou quatro meses ele regressou são e salvo”, acrescentou.

Numa carreira marcada por duas experiências no estrangeiro, no Salamanca e Paris Saint-Germain, o médio regressou ao Benfica em 1980.

Três anos passados no Estádio da Luz, ganhando tudo o que havia para ganhar, João Alves teve, segundo o próprio, problemas com apenas um treinador das águias: Sven-Goran Eriksson, na temporada 1982/1983.

“Era o jogador mais bem pago do Benfica e fiz a época toda como titular. Fomos campeões e chegamos invictos à final da Taça UEFA, com o Anderlecht e ele [Eriksson] tirou-me da equipa. Foi estranho”, indicou.

Num plantel de 22 jogadores, João Alves foi o único a não ser convocado para o “jogo da festa” contra o SC Braga. Até hoje, o técnico não obteve nenhuma resposta sobre este episódio.

“O Toni era adjunto do Eriksson e nunca me foi capaz de dizer abertamente o que aconteceu”, salientou, confirmando que conseguiu ter uma conversa com o técnico sueco.

“No Boavista, já como treinador, defrontei a Fiorentina na Taça UEFA. O Toni deu-me o contacto de Eriksson, que estava a treinar a Roma, e encontrámo-nos. Conversámos sobre muitas coisas e ele tentou-me explicar-me os motivos desta decisão. Não me convenceu, mas não sou rancoroso”, comentou.

Confessando que gastou o primeiro salário que recebeu no Benfica, no valor de 1.500 escudos, em uma “patuscada com amigos”, João Alves nunca teve a oportunidade de treinar a equipa principal dos encarnados.

“Fui treinador na formação do Benfica, mas não fui com a intenção de treinar a equipa A. Quique Flores saiu em 2009 e não fiz nada para estar no lugar dele. Não faz parte da minha forma de estar”, concluiu.

Enquanto técnico principal, João Alves treinou o Boavista, Leixões, Estrela da Amadora, Vitória de Guimarães, Salamanca, Belenenses, Campomaiorense, Farense, Académica, Leixões, Servette FC e Cova da Piedade.

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