Portugal
CD Tondela, SC Braga e quando o tempo útil é usado para se jogar mau futebol
João Pedro Cordeiro
2018-12-08 20:20:00
O SC Braga venceu o CD Tondela pela margem mínima num jogo com futebol, mas mau.

Se no lançamento para o encontro entre CD Tondela e SC Braga a discussão se centrou no facto do campeonato português ser a liga europeia com menor percentagem de tempo útil de jogo, e com Abel a insurgir-se contra todos aqueles que dão pancada no futebol português, hoje, o problema foi bem diferente. Num jogo disputado a um ritmo baixo, errático na construção, fosse no transporte, fosse na circulação, fica difícil não destacar o pouco que se jogou no Estádio João Cardoso. O SC Braga acabou por levar a melhor, num jogo com uma percentagem de acerto de passe baixa e um número elevado de perdas de bola.

Abel afirmou durante a antevisão para o encontro com o Tondela estar "aqui" para valorizar o futebol espetáculo, mas, hoje, ficou longe de o conseguir. O único golo marcado pelo SC Braga surgiu à passagem da meia hora num lance pouco organizado, quando Ricardo Horta lançou longo para a área em busca de Fransérgio após perda de bola do Tondela a meio campo, com o médio do SC Braga a falhar o domínio mas a deixar a bola à mercê de Wilson Eduardo que disparou de forma vitoriosa à entrada da área.

O Braga colocou-se em vantagem aos 31 minutos quando até então até tinha sido o CD Tondela a registar o lance de maior perigo do encontro quando logo a abrir, António Xavier, homem que respira confiança por esta altura, fugiu a Goiano e se isolou na cara de Marafona para disparar cruzado com a bola a sair muito perto do poste da baliza arsenalista. O SC Braga até tinha mais bola até então, mas foi o Tondela que criou perigo primeiro no jogo. A sobrepopulação no meio campo da equipa de Pepa, com Tembeng, Hélder Tavares e Peña retirou espaço ao SC Braga para construir a partir do corredor central e a obrigar a equipa de Abel a explorar insistentemente os corredores laterais.

O Tondela tornou a própria tarefa mais fácil ao limitar os arsenalistas aos corredores, controlando o jogo sem bola, ainda para mais, perante um SC Braga sem uma verdadeira referência na área como Dyego Sousa - Paulinho e Wilson Eduardo foram os avançados da equipa de Abel. No momento defensivo o conjunto de Pepa esteve praticamente irrepreensível e apenas num momento de desconcentração permitiu que o SC Braga chegasse ao golo. Foi tudo o que bastou. É que, com bola, o Tondela foi também uma equipa sem ideias e sem alternativas com a estratégia de Pepa a ficar sobremaneira condicionada a partir do minuto 41 quando foi obrigado à segunda substituição no jogo devido a questões físicas - João Mendes e Ricardo Alves subtituiram Tembeng e Ricardo Costa.

Com uma circulação errática em ambos os conjuntos e com o Tondela, que até entrou melhor, a acumular perdas de bola, principalmente após o golo, jogou-se a um ritmo muito baixo e longe do futebol espetáculo, justiça seja feita, muitas vezes protagonizado por ambos os conjuntos. E, na segunda parte, sem que o Tondela conseguisse melhorar o seu jogo com bola e em organização - Murillo e Patrick, em especial, passaram totalmente ao lado do jogo -, o SC Braga ficou confortável ao ponto de se tornar letárgico. O Tondela aproveitou, mas os remates de Patrick e Xavier, aos 67 e 72 minutos acabaram por ser fogo de vista quando parecia que o conjunto de Pepa crescia no jogo. Com exceção de um par de aproximações promissoras à área adversária, não mais conseguiu criar perigo e em vantagem, o SC Braga também não procurou dilatá-la.

Se hoje não é possível levar a discussão para o tempo útil de jogo, é pelo menos possível discutir se as receitas conseguidas por ambas as equipas não permitem um futebol mais agradável. Afinal, tal como o próprio Abel admitiu na antevisão para o encontro, uma coisa acaba por levar à outra: melhor futebol, mais adeptos no estádio, mais dinheiro. Mais como hoje? É melhor não, para bem do futebol português.

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