Portugal
Bruno de Carvalho: "Deixei no Sporting um poço de petróleo e uma mina de ouro"
2018-07-31 22:15:00
O ex-líder do clube de Alvalade acredita que vai a eleições "pela lei, e não pelas pessoas que lá estão"

Bruno de Carvalho está suspenso mas não desiste de apresentar a candidatura à presidência do Sporting e, em entrevista à Sport TV +, disse esta terça-feira que continua a acreditar que vai às urnas "pela lei, e não pelas pessoas que lá estão" e que deixou em Alavalde "um poço de petróleo e uma mina de ouro", numa alusão ao número elevado de candidatos à presidência do Sporting.

O líder leonino voltou a reafirmar existir "um atropelo sucessivo à reposição da legalidade", catalogando a atual Comissão de Gestão de "ilegal". Bruno de Carvalho disse ainda existir "uma necessidade de me afastarem deste processo" e lançou uma farpa aos outros candidtos à presidência do clube de Alvalade. "Os candidatos têm uma caracterísitica que não lhes conhecia, a cobardia".

Bruno de Carvalho quer dar continuidade ao projeto que iniciou em Alvalade. "Por algum motivo um rival esta há 33 anos e outro há mais de 15 anos. A estabilidade acaba por dar resultados., lembro que houve um presidente que só ao fim de seis anos ganhou um título. Acho que os sportinguistas têm gratidão e memória, e me devem dar esta segunda oportunidade de levar o meu projeto até ao fim. Não se retira alguém de um projeto que já tem um conhecimento e que continua a defender os superiores interesses do Sporting", referiu na Sport TV +.

De seguida, o ex-dirigente fez um apelo aos sócios mais antigos do Sporting: "Aqueles sócios mais antigos do Sporting que viram o Sporting crónico, permitam-me que faça isso aos netos deles. Deixem-me dar essa alegria. Quero que os sócios mais antigos deixem que os sócios mais novos vivam as mesmas alegrias".

Ao longo da entrevista, Bruno de Carvalho acabou por revelar que "já estava destituido antes da Assembleia Geral, o que é caso único no futebol mundial", acusando Marta Soares: "Não é um homem de palavra". "Aquela assembleia geral foi um julgamento na praça pública e um linchamento popular", recorda o presidente destituido do Sporting.

Bruno de Carvalhou explicou ainda as razões porque quer candidatar-se. "Eu não posso virar as costas ao Sporting quando o clube está tomado de assalto (...) Fui o único presidente em 32 anos que deixei património ao clube (...) "Os sportinguistas devem dar-me esta segunda oportunidade", argumentou para lançar mais umas farpas aos outros candidatos. "Estão a aparecer várias listas cujos projetos são os meus", acusou.

Bruno de Carvalho comentou ainda o facto de terem surgido o número inusitado de candidaturas. "Fala-se tanto de crise, mas se aparecem nove candidaturas é porque deixei lá um poço de petróleo, uma mina de ouro". Sobre a auditoria forense à gestão de Bruno de Cravalho, que está a decorrer, o ex-líder leonino mostrou-se tranquilo. "A auditoria forense não vai encontrar nada de interesse. Zero."

Ainda antes de recordar os acontecimentos de Alcochete, Bruno de Carvalho apontou a derrota com o Estoril como o momento de viragem negativa para os objetivos da época. "O que mudou em fevereiro foi uma derrota devido ao vento, segundo o treinador disse na altura", disse Bruno de Carvalho numa indireta a Jorge Jesus. O ex-líder dos leões garantiu ainda que "o post de Madrid foi pensado e refletido" e apontou o exemplo de Guardiola que criticou os jogadores do Manchester City e que não se importava que eles o odiassem desde que ganhassem.

Sobre os acontecimentos de Alcochete que qualificou de "hediondos" e onde garantiu não ter qualquer responsabilidade, disse: "Já deixei claro que tudo isto é de uma estranheza total (...) A entrada para os balneários dá-se por duas portas de ferro diretamente e uma de vidro que, por ordem minha desde que entrei no Sporting, tinha um cartão magnético para abrir. E depois têm de passar uma segunda porta que também tinha um cartão para abrir. É dito que sete ou oito minutos antes, alguém da Academia é avisado e chama a polícia. Pelas imagens, eles não iam a correr, iam naquele traulitar militar – é engraçado, que temos um militar candidato. Entram, vão até ao fundo, aos relvados, veem Jorge Jesus e dizem 'não é nada consigo, onde são os balneários?'. Voltam para trás, dão chutos na primeira e segunda portas e não conseguem, chegam à porta de vidro, forçam com a mão e chegam ao balneário. Descobri que apesar de estar fechada, alguém no início da época mandou tirar a medida de segurança do cartão das portas. Uma estava fechada e foi com a mão, e a outra estava aberta", explicou para de seguida questionar: "Quem deu ordem de tirar nestas duas portas o controlo de cartão no início da época? Alguém deu. De certeza que isso está tudo no processo com a polícia (...) Acho que a polícia já sabe que em Alcochete houve um mandante, um executante e um pagante".

Bruno de Carvalho falou ainda de Jorge Jesus e confirmou que não era o treinador para a próxima época. "Disse a Jorge Jesus que não era o treinador indicado" para continuar no Sporting, revelou, comentando ainda a saída de Francisco Geraldes. "A saída de Geraldes é lamentável, e espero que Palhinha não vá pelo mesmo caminho".