Portugal
Benfica pôs-se a jeito e o CSKA Moscovo aproveitou para levar os três pontos
Fernando Gamito
2017-09-12 22:55:00
Dois golos sofridos no espaço de oito minutos, custaram a vantagem e o resultado ao Benfica de Rui Vitória

Uma derrota por culpa própria. É esta a descrição que melhor serve o desaire do Benfica, esta noite, na receção ao CSKA Moscovo, por 2-1, na primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. O Benfica teve mais posse de bola, mas baixou intensidade, fez crescer a passividade com o passar dos minutos, pôs-se a jeito e o CSKA Moscovo aproveitou para fazer a reviravolta no marcador e tornar uma desvantagem de um golo num resultado favorável.

Ainda assim, engane-se quem pense que o Benfica não deu o ar de sua graça junto à baliza de Akinfeev. Muito pelo contrário até. Os números são exemplificativos disso mesmo: mais de 60 por cento de posse de bola e perto de 20 remates. Muitos tiros disparados à baliza do CSKA, mas com muitas balas perdidas ou desenquadradas do alvo pretendido. Esta falta de eficácia deve-se, em muito, à coesão defensiva demonstrada pelo conjunto russo na Luz, a atuar com um bloco baixo na maior parte do encontro, o que levou os jogadores das ‘águias’ a fazerem da longa distância a principal estratégia de ataque, revelando-se sem efeito.

Mas, antes de uma segunda parte pautada pelos golos de ambas as equipas, existiu um primeiro tempo em que o marcador não mexeu. Os primeiros 45 minutos tiveram como base a troca entre Benfica e CSKA no que diz respeito ao capítulo de maior ascendente no encontro. À meia hora de jogo, era a equipa russa que surgia com maior incidência junto à baliza adversária, com vários lances em que a bola passou bem perto ao poste. O meio-campo dos encarnados demonstrava-se ineficaz em combater a manobra ofensiva dos moscovitas e o CSKA aproximava-se do golo. Ainda assim, foi Grimaldo quem esteve mais perto de inaugurar o marcador em mais uma noite europeia na Luz. O relógio marcava os 37 minutos, quando o lateral esquerdo (um dos mais inconformados) colocou o esférico no poste da baliza de Akinfeev.

Com a segunda parte apareceu aquilo pelo qual os adeptos mais ansiavam: os golos. Haris Seferovic voltou a mostrar o pé quente que tem vindo a exibir neste início de época e fez o gosto ao pé aos 50 minutos, após ter avisado Akinfeev escassos segundos antes. A jogada teve por base uma iniciativa individual daquele que foi o melhor jogador do Benfica esta noite, Zivkovic, que criou desequilíbrios, progrediu com bola, tentou encontrar espaços onde estes não existiam e foi o homem chave de Rui Vitória. Foi precisamente num momento em que desequilibrou pelo corredor esquerdo que o extremo sérvio cruzou a bola para a área do CSKA, onde Seferovic surgiu ao primeiro poste a desviar para o 1-0 e a levantar umas bancadas que esta terça-feira estiveram mais despidas do que é por hábito acontecer em outros dias.

O Benfica colocou-se em vantagem no marcador, mas depois começaram os erros, a passividade e a falta de intensidade. Num lance que surgiu como consequência de uma longa estadia do CSKA dentro da área do Benfica, o árbitro assinalou penálti por considerar que André Almeida colocou o braço na bola, aos 62 minutos. Vitinho foi o jogador chamado à marca dos onze metros, não tremeu e restabeleceu a igualdade. 1-1 e o jogo novamente vivo e imprevisível. Porém, a equipa da casa não teve a reação esperada ao golo e não foi capaz de manter presença constante no meio-campo adversário, pelo que o CSKA conseguiu a reviravolta total no resultado.

Aos 71 minutos, Zhamaletdinov aproveitou da melhor forma uma sobra, após uma defesa de Bruno Varela a um remate de Vasin, dentro da área do Benfica. O avançado russo, acabado de entrar na partida, antecipou-se a toda a linha defensiva dos encarnados, reagiu ao lance, e colocou a bola no fundo das redes das ‘águias’. Ficou culminada a remontada russa e o Benfica era o maior responsável por essa mesma façanha. Até final, Rui Vitória fez jus a uma expressão que Quinito fez famosa, a mítica “carne toda no assador”. O treinador dos encarnados lançou Gabriel Barbosa, Rafa Silva e tirou Grimaldo e Lisandro López. No entanto, a quantidade de avançados em campo não surtiu efeito e, salvo mais uma sequência de remates de longa distância, o Benfica não conseguiu chegar ao golo.

Terminados os 90 minutos, o Benfica saiu derrotado da estreia nesta edição da Liga dos Campeões, um desaire caseiro que poderá vir a revelar-se fulcral para contas futuras na prova milionária, num jogo em que Jonas não conseguiu fazer aquilo que melhor sabe e esteve desaparecido nas quatro linhas. O árbitro Undiano Mallenco saiu da Luz coroado por assobios. O juiz espanhol teve alguns erros no capítulo disciplinar, aqui e ali, esteve com juízo acertado no lance de Seferovic na área do CSKA, mas é duvidosa a decisão no penálti assinalado a André Almeida. No fim de contas, dois golos sofridos em oito minutos, fruto de momentos de desconcentração, custaram ao Benfica a vantagem e o resultado.

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