Portugal
“Benfica está a tornar-se num clube como o Sporting ou o FC Porto”
2020-05-21 14:35:00
Gomes da Silva aponta caos financeiro nos rivais, após exemplo da formação leonina e vendas milionárias no dragão

Numa entrevista no podcast 'Visão Vermelha', Rui Gomes da Silva repetiu críticas à estratégia definida pela direção do Benfica, que prefere, segundo o ex-dirigente, ser "o grande dentro dos pequenos de Portugal", revelando "falta de ambição".

“Ou preparamos o Benfica para ser grande na Europa, ou o Benfica será o grande dentro dos pequenos de Portugal. Só há essas duas opções. Ou o Benfica envereda por outro caminho, ou desaparecerá do grupo dos grandes europeus. O Benfica já não é relevante no grupo dos grandes da Europa do futebol”, salientou.

Rui Gomes da Silva entende que o clube “tem de seguir outro caminho”, colocando um travão num percurso de “de diminuição da sua importância europeia”, mas também criando uma lógica diferente, que não sujeite o clube às exigências de alguns parceiros.

E numa crítica à ligação do clube com o empresário Jorge Mendes, o advogado considerou que “o Benfica não pode ser um entreposto de jogadores”, ou “o parceiro menor de uma parceria estratégica com um empresário”.

Realçando que “o Benfica acha que é um grupo económico”, o ex-vice-presidente encarnado lembrou o passado recente de Sporting e FC Porto, para transmitir a ideia de que o futuro pode não ser tão risonho como Luís Filipe Vieira augura.

“O Benfica está a tornar-se num clube como o Sporting ou o FC Porto. O Sporting teve uma grande formação. E foi pela formação que se transformou? Não. Cometeu os mesmos erros que o Benfica está a cometer agora: a vender tudo o que tinha. A vender os jogadores logo no primeiro ano na equipa principal”, sustenta.

Entretanto, o clube de Alvalade perdeu força na formação e enfrenta, atualmente, graves dificuldades financeiras.

“Quanto ao FC Porto, durante anos habituámo-nos a ler nos jornais que o FC Porto ‘é a equipa que mais vende na Europa’, que ‘está entre as SAD mais lucrativas’... E como é que está o FC Porto hoje? Está quase na bancarrota, quase destruído, financeiramente”, complementa.

Gomes da Silva lembra que os lucros da SAD encarnada não são eternos. E insiste que “não há nenhum exemplo de uma equipa puramente formadora e que seja grande na Europa”. A formação “é um dos caminhos”, mas “não pode ser o único caminho”, entende.

Sobre o seu projeto para o clube da Luz, o ex-dirigente encarnado – candidato assumido à presidência do Benfica –, promete algumas medidas. Desde logo, a limitação de mandatos, a dois exercícios, no máximo.

“Uma ideia que deixo expressa: ao chegar ao Benfica, defenderei a limitação de mandatos. Aliás, eu nunca ficaria mais de dois mandatos. O Benfica é uma religião, mas não tem um Papa. Não pode haver uma eternização do poder, através das mais diferentes manobras eleitorais”, justifica.

E Rui Gomes da Silva eleva a fasquia, num cenário em que se torna presidente do clube lisboeta: “Considerar-me-ia completamente frustrado e derrotado se, nesses dois mandatos, o Benfica não fosse de novo campeão europeu. Aqui fica o meu compromisso da limitação de mandatos e assumo que falharei completamente se não fizer do Benfica campeão europeu”.

Numa análise à atualidade nas modalidades amadoras, o ex-vice-presidente aponta “um erro tremendo”. “Em vez de aproveitar esta crise para se aproximar nas modalidades aos outros clubes, está a acordar com esses clubes a dispensa de jogadores. É inacreditável”, lamenta.

A propósito da dispensa de jogadores, regressa ao futebol para dar exemplos de jogadores que não terminaram o vínculo antes do previsto.

“O Benfica farta-se de assinar contratos e rescinde com tantos jogadores. Foi Luisão, Júlio César, com o Jonas a mesma coisa... São pequenos erros que as pessoas não notam, porque ganham e vão ao Marquês. É verdade, vamos ao Marquês. Mas isso não chega. Há muito dinheiro desperdiçado”, conclui.