Portugal
Benfica acusa Pinto da Costa e Rui Moreira de “promiscuidade”
2020-06-03 17:35:00
“Quem é o vicário de quem entre Rui Moreira e Pinto da Costa?", pergunta Benfica

O Benfica criticou a ligação entre Rui Moreira e o líder portista, depois de se saber que o presidente do município foi convidado para o Conselho Superior do FC Porto, na lista de Pinto da Costa.

O diretor de Comunicação do Benfica fala em “promiscuidade” entre futebol e política e refere que decorrem reuniões entre Rui Moreira e outros autarcas, tendo em vista a construção da futura academia dos dragões.

“Já não bastava o nível de promiscuidade política, sem paralelo, evidente nas listas de Pinto da Costa com um desfile de atuais e ex-políticos, ficámos agora a saber que o designado sucessor para presidente do FC Porto e atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, é notícia porque já reuniu com colegas autarcas para discutir assuntos relacionados com a construção da prometida futura academia do FC Porto”, critica o diretor de Comunicação do Benfica, Luís Bernardo.

O responsável considera a situação grave, porque, no seu entendimento, “se misturam a gestão de cargos públicos com os interesses de um clube”, além de que “o papel do presidente da Câmara do Porto já não se percebe onde começa e acaba”.

Por outro lado, sustenta, o cargo de autarca “confunde-se com o de futuro presidente do Conselho Superior do FC Porto e eventual sucessor de Pinto da Costa”.

Luís Bernardo entende que esta ligação “devia deixar de sobreaviso e em alerta todas as autoridades competentes”.

“O que seria se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa aceitasse integrar as listas de um dos candidatos à liderança de um clube da sua cidade, ao mesmo tempo que surgia a liderar a eventual oferta de terrenos e gestão de projetos de construção relacionados com esse mesmo clube que envolvem financiamentos avultados?”, questiona.

Para o diretor de Comunicação do Benfica, “assim se expõe a hipocrisia de todos aqueles que rasgaram as vestes e tanto se indignaram com a banal oferta de dois bilhetes para um jogo a um responsável político”.

“Agora, em situação de caos financeiro, demonstram que afinal vale tudo, desde financiamentos públicos para o Porto Canal, passando por uma lista para o Conselho Superior manifestamente incompatível com a necessária transparência e salvaguarda do interesse geral”, defende.

Luís Bernando considera que “é preciso relembrar o óbvio” e faz algumas perguntas:

“Pode um decisor político ter um relacionamento institucional com clubes de futebol? É óbvio que sim. Mas poderá e deverá fazê-lo pertencendo aos órgãos representativos desse mesmo clube? É óbvio que não”.

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