Portugal
Abel sabia, Claudemir lançou, Horta perdoou e no final o Zorya mandou
Sérgio Cavaleiro
2018-08-09 22:30:00
O SC Braga foi superior em grande parte do jogo, mas falhou na concretização e acabou a sofrer pelo empate

Abel Ferreira fez o lançamento deste primeiro duelo com o Zorya dizendo-se conhecedor da equipa ucraniana e garantindo que tinha preparado os seus rapazes para um jogo direto, vertical e de segundas bolas. Ora bem, a verdade é que conseguiu mesmo neutralizar essas características do adversário… mas apenas até ao momento em que a equipa da casa quis. Quando o Zorya realmente foi vertical - aconteceu depois do golo do SC Braga - a equipa portuguesa tremeu que nem varas verdes. Imperial foi Claudemir, o médio centro que executa (e de que maneira) os lançamentos laterais.

O SC Braga entrou mais forte e conseguiu impor o ritmo nesta primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga Europa. Empurrou a equipa ucraniana para o seu reduto defensivo e conseguiu discutir o jogo de meio-campo, com particular destaque para Claudemir, um dos reforços para 2018/19. Por esta altura, o Zorya era uma equipa mais na expectativa e com saídas rápidas para o ataque, o tal jogo vertical de que falava Abel Ferreira aquando do lançamento deste encontro. Por enquanto, o jogo direto e de segundas bolas dos ucranianos parecia não fazer mossa.

A opção de Abel Ferreira em começar o encontro com Wilson Eduardo como jogador mais avançado ofereceu alguma mobilidade ao ataque bracarense com várias permutas nas posições da frente. Aí surgiu, algumas vezes - e com maior regularidade na segunda parte - Fransérgio, e muitas vezes Ricardo Horta, que marcou um mas desperdiçou dois ou três golos cantados. Se dissermos que ao intervalo ficámos com a sensação de que o jogo dava o que o SC Braga quisesse dele, não estaremos a fazer um favor a ninguém.

Com o ego em alta depois da demonstração de superioridade durante a primeira parte, o SC Braga voltou a entrar bem na segunda parte; mandão, autoritário e a colocar a nu as enormes fragilidades defensivas do Zorya onde se destacou, pela negativa, o jovem guarda-redes brasileiro Luiz Felipe - onde teria o rapaz a cabeça durante os 90 minutos é ainda uma incógnita. A verdade é que a equipa portuguesa conseguiu capitalizar sobre essa bagagem extra de confiança e marcou mesmo. Golo de Ricardo Horta.

Já antes do golo, havia o médio ofensivo, que esta noite jogou descaído para o lado esquerdo, falhado uma oportunidade de golo daquelas… depois de um lançamento lateral de Claudemir. Fosse mais eficaz na hora de finalizar - já na primeira parte tinha falhado uma oportunidade na cara de Luiz Felipe - e Ricardo Horta teria sido o herói do jogo e resolvido a eliminatória a favor do SC Braga.

Acontece que depois do golo de Horta tudo mudou e foi aí que percebemos os medos de Abel Ferreira quando falava no jogo direto, nas segundas bolas e na verticalidade. O golo do empate do Zorya, que surgiu aos 72 minutos - apenas três depois do golo do SC Braga - nasceu de uma bola longa para a área portuguesa que Sequeira cortou, mas mal. A tal segunda bola caiu no pé esquerdo de Karavaev que tornou o difícil em simples fazendo um golo de belo efeito.

Ora bem, depois do golo e de algumas mudanças por parte do treinador do Zorya, que apostou no preenchimento ofensivo, vimos um SC Braga em sofrimento, período que Abel Ferreira explicou com a falta de clarividência por parte dos seus jogadores. Os minhotos necessitavam de ter bola, mas perdiam-na rapidamente. Os ucranianos, assim que a recuperavam, só tinham olhos para a baliza de Matheus.

O SC Braga mostrou ser superior a esta equipa do Zorya, que obviamente tem as suas qualidades, mas, pareceu-nos a nós, ter muitos mais defeitos, especialmente no momento defensivo. Foi pouco efetiva na ocupação dos espaços e viu-se em palpos de aranha com as mobilidade dos homens da frente da equipa portuguesa. Resta agora esperar para ver o que acontece na Pedreira, daqui a uma semana.

P.S. - Atenção a Claudemir, médio brasileiro que o SC Braga foi buscar ao Al-Ahli Jeddah da Arábia Saudita. Mostrou ser conhecedor dos ofícios de centrocampista e para além disso tem um lançamento de linha lateral que vai valer muitos golos à equipa de Abel Ferreira. Esta noite, frente ao Zorya, colocou, por duas ocasiões, Ricardo Horta na cara do golo. Vamos estar atentos.

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