Opinião
Tenham respeito, senhoras e senhores! Tenham respeito
Mauro
2018-09-18 14:00:00
Não há ninguém que chegue tão perto de Messi e Ronaldo como ele chega.

Vamos lá a isto de forma direta e clara: Neymar é o maior desequilibrador do futebol Mundial (Hazard não anda longe) e é o jogador que mais perto chega do nível de Messi e Ronaldo. Não dizendo que é absurda – ups, já está dito –, digo apenas que é bizarra a desvalorização que Neymar tem sofrido nos últimos meses. Parece que a malta do futebol já se esqueceu do que vale o jogador brasileiro em várias cambiantes.

Os exageros teatrais de Neymar, quando tenta sacar faltas, têm criado no brasileiro uma profunda desvalorização. É justo que condenemos as simulações deste craque, mas não é justo que nos esqueçamos do que ele vale. E reforço: não há ninguém que chegue tão perto de Messi e Ronaldo como ele chega.

Por dois grandes motivos:

O melhor do Mundo nisto

No primeiro motivo, a parte evidente: nenhum jogador tem o um contra um de Neymar. Sim, ele exagera. Mas caramba: que desequilibrador nato não o faz? Se não exagerar, estará a fazer alguma coisa mal. "O Neymar gosta é de cuecas e cabritos". E quem não gosta? Provavelmente, quem não gosta de bola. Ronaldinho, que era este tipo de jogador, é idolatrado (e bem). Neymar, por outro lado, é odiado. Neymar não segue o guião e fazem falta mais jogadores que não sigam o guião.

Para além da qualidade na receção de bola - melhor do Mundo? - e no último passe, o brasileiro consegue, em drible, tudo e mais alguma coisa: sair para fora, vir para dentro, driblar em velocidade, driblar depois de receber de costas para a baliza, driblar com arranque parado. O repertório técnico do internacional brasileiro é inacreditável e é ele – e mais uns poucos – que nos faz, ao ver a bola, esperar as tais coisas fora do guião.

Os jogadores de corredor são, atualmente, na grande maioria, de três tipos: jogadores de explosão no espaço – Mbappé à cabeça –, jogadores de movimentos interiores e associação coletiva com os apoios dos jogadores das zonas centrais – Bernardo é um bom exemplo – ou jogadores que partem do corredor para fazer a diferença em zonas de finalização – Salah, és tu.

Artistas como Neymar estão em extinção e é tão fácil fazê-lo funcionar… basta o ponta de lança “prender” o central do lado direito – impedindo-o de ir fazer dobras – e a equipa apostar em isolamentos do brasileiro, arrastando os adversários para o lado contrário do campo. Aí, com Neymar em situações de um contra um e sem dobras por perto, é uma festa.

O melhor do Mundo nisto

Atenção ao segundo motivo: Neymar é, dos desequilibradores atuais, aquele que, provavelmente, mais voluntarismo defensivo tem. É fácil dizer, olhando para o brasileiro em contexto de seleção, que “esse Neymar é uma vedeta que só quer fazer coisas de brinca na areia”. É muito fácil dizer isto, mas é, também, profundamente injusto. Vão aos arquivos ver quem era o Neymar do Barcelona. Esse Neymar – consciente de que Messi era o homem a quem era permitido não defender (e Messi até dos jogadores mais competentes na pressão à saída de bola adversária) – sempre foi um jogador extremamente voluntarioso. Não foram raras as vezes em que pudemos ver Neymar “morder” os adversários e, por vezes, chegar-se a Jordi Alba, para evitar o dois contra um em cima do lateral.

Se isto dito por um mero jornalistazeco poderá ter pouco valor, olhemos para o que já chegou a dizer Diego Simeone, treinador que todos sabemos ser muito exigente do ponto de vista do comprometimento defensivo dos jogadores. “Neymar ou Mbappé? Escolho o Neymar, sem dúvida. Lembro-me do Barcelona de Luis Enrique e nos jogos em que tinha de trabalhar, trabalhava. Mbappé é muito mais individualista. Neymar tem uma posição de jogador de equipa”.

Se Simeone diz, está dito.