Opinião
Qual o verdadeiro nível da França?
2018-06-15 17:20:00

Os gauleses melhoraram gradualmente nas últimas semanas. Didier Deschamps elabora a equipa a pensar em Mbappé e na corrida que o avançado do PSG imprime no ataque. Em seu redor, Giroud, Dembélé, Griezmann ou Fekir aproximam-se e disponibilizam tabelas e combinações. Num aspeto Deschamps tem pensado bem: a estrutura de três médios, sobretudo quando são Matuidi e Tolisso a ajudar Kanté, favorece uma cobertura mais trabalhada e um auxílio mais garantido aos defesas-laterais Mendy e Sidibé. Perde-se em criação na zona média, mas ganha-se em resolução no terço atacante do campo porque os médios poupam trabalho de sapa aos avançados.

Deste modo, evita-se que os atacantes tenham de fazer piscinas a defender o flanco. O despertador aconteceu depois do descalabro da segunda parte do jogo de preparação com a Colômbia de Pekerman, quando a França ainda tinha a fórmula de 4-4-2. A partir daí, para o encontro preparatório contra a Rússia, os gauleses compuseram um 4-3-3, a base do equilíbrio tático com prejuízo para Thomas Lemar. Uma das vantagens obtidas pela formulação em três atacantes é que inibe o oponente que jogue em quatro defesas de fazer avançar os laterais, por causa do risco de provocar um perigoso 3v3.

Já a partir do desafio inicial contra a Austrália, a França vai caraterizar-se pelo turbo dos ataques. Mbappé é a figura proeminente nesse registo, mas também Dembélé e Griezmann colaboram com eficácia nos contra-ataques velozes. Para além disso, a pedalada de Mendy e Sidibé contribui imenso para a resolução atacante. Uma das maiores incógnitas é a presença de Pogba na equipa. Ou, pelo menos, a sua frequência. Matuidi e Tolisso oferecem chegada à baliza, para além da cobertura, enquanto Pogba manobra e pisa a bola com mais qualidade na circulação.

A lesão de Koscielny não foi bemvinda. Porém, a evolução de Kimpembe e a utilidade de Rami, Umtiti e Varane garantem um bom eixo defensivo à frente do capitão Lloris na seleção de DD. Apesar das boas indicações da França, talvez seja arriscado colocá-los ao mesmo nível da Alemanha, Espanha e Brasil. Estas três seleções já têm um grau de consolidação superior, com mais meses de trabalho numa linha determinada linha orientadora. É por aí que a França ainda está um degrau abaixo, uma vez que este módulo tático não está estabelecido há tanto tempo assim.

Deschamps foi o último capitão francês a levantar o troféu de campeão do mundo. Pode acontecer que celebre na final do Luzhniki e, em boa verdade, esse já foi um cenário mais difícil de imaginar.

Luís Catarino é comentador da Sporttv e escreve no Bancada às sextas-feiras.

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