Opinião
O exórdio da Liga das Nações (lá por fora)
Luís Catarino
2018-09-14 13:55:00
Luís Catarino é comentador da SportTV e escreve no Bancada às sextas-feiras.

Iniciou a Liga das Nações e a prova está bem idealizada e formatada. Entre vários aspetos, a LN possibilita às seleções de gama inferior terem algo por que lutar, ao mesmo tempo que deixam de ser eternos sacos de pancada sem nada a ganhar durante um considerável segmento do calendário internacional. Por outras palavras, com uma competitividade devidamente encaixada, a sua evolução tornar-se-á mais gradual, em jogos com exigência adequada. Por outro lado, é sabido que uma das federações da quarta divisão estará na fase final do Euro 2020, como prémio de uma boa participação na sua divisão da Liga das Nações.

Quanto às mais fortes, percebe-se que existe estímulo. O melhor exemplo foi a confirmação da convocatória de Deschamps. Os vinte jogadores de campo escolhidos pelo selecionador francês foram exatamente aqueles que foram campeões mundiais. E, em Munique, a França manteve a solidez. Os franceses, agora com duas estrelas em cima do símbolo do galo, continuam a apresentar uma estrutura defensiva muito forte, que já vem do jogo com o Peru, no Rússia 2018. Kanté domina toda a cobertura, mas Matuidi e Pogba, ao mesmo tempo que auxiliam na recuperação, também vincam variabilidade em fase ofensiva, que também se aplica à conjugação impressionante de arranque, drible e técnica de Mbappé. Griezmann (ligação) e Giroud (fixação) são igualmente primordiais, lembrando que o ponta de lança do Chelsea, que tem sido suplente de Morata no alinhamento de Sarri, marcou um bom golo contra a Holanda. Lloris, o homem que há quarenta dias levantou a taça no Luzhniki, estava ausente devido a lesão, mas Areola teve uma estreia de sonho contra a Alemanha.

‘Jogi’ Löw procede a uma reformulação ligeira na equipa germânica e Kimmich foi colocado a trinco contra a França, a organizar a construção e a dar mais pedalada no meio. O problema é que depois a sua agressividade ofensiva não foi utilizada no lado direito da defesa, entregue a Ginter... Ah, e na esquerda estava Rüdiger (Hector descansou). Depois de todos os desequilíbrios defensivos contra o México e Coreia do Sul no Mundial, Löw quis remendar o melhor possível as laterais para não correr o risco de ser novamente dizimado à moda de Lozano. Mas pensou tanto nos remendos para a perspetiva defensiva que não assegurou algum grau de risco que é necessário para atacar com mais incisão nos flancos, até para que, depois, o corredor central, com Goretzka e Kroos, fluísse melhor.

A Holanda está a trabalhar bem. Ronald Koeman fortificou a organização da Oranje e é Memphis, que agora joga a ponta de lança no Lyon (Mariano voltou para Madrid), a liderar o ataque. Perto de si, Babel e Promes transmitem talento e RK ainda tem a possibilidade futura de chamar Bergwijn, extremo do PSV. Pode haver qualquer coisa de especial a germinar na Holanda, se Koeman puder conciliar o melhor de Wijnaldum, Propper, Strootman, Van de Beek e Frenkie de Jong. Os dois últimos têm um talento excecional e Wijnaldum, peça versátil no xadrez do Liverpool, deverá ser eleito para dar substância ao meio-campo, independentemente de o selecionador atuar com dois ou três médios-centro em simultâneo. Na defesa, o papel de liderança cabe a Van Dijk, mas a serenidade de Blind e o comportamento excecional de De Ligt são argumentos para dar conforto a Cillessen.

Mais seleções merecem análise, mas não temos oportunidade para as dissecar na totalidade. No entanto, a última referência vai para a Espanha, que brilhou em Wembley e cilindrou a Croácia em Elche. Saúl, já depois de maravilhar em Inglaterra, provou, na sua cidade natal, que é um dos melhores dos melhores, ao mesmo tempo que Asensio foi bem aproveitado por Luis Enrique. Atenção a Marcos Alonso, lateral-esquerdo do Chelsea agora integrado numa linha de quatro elementos por Sarri, tal como na Espanha. Pode não aproximar-se tantas vezes do terço atacante como na altura em que percorria a ala esquerda com três defesas-centrais atrás. Mas a diferença é que, quando aparece na frente, surge com mais surpresa, mesmo que a frequência dos movimentos de chegada à grande área adversária seja menor. Isco e Thiago mantêm a genialidade elevada, com a bússola de Busquets.

Luís Catarino é comentador da SportTV e escreve no Bancada às sextas-feiras.

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