Opinião
José Peseiro numa encruzilhada sem saída
António José Oliveira
2018-10-11 14:00:00

José Peseiro efetuou a melhor temporada da carreira ao serviço do Sporting em 2004/05. Esteve muito perto de ganhar tudo, mas acabou por não ganhar nada e a partir daí foi rotulado de perdedor, mas ao mesmo tempo viu reconhecida a qualidade de jogo da equipa de então. Estes dois epítetos, digamos, passaram a acompanhá-lo dia a dia no futebol português. O pior é que o treinador eleito por Sousa Cintra, 13 anos após a última passagem por Alvalade, chegou agora a uma fase em que perde e não joga bem. Passou de perdedor que jogava bem a perdedor que joga mal e tornou-se refém dele próprio.

A equipa leonina representa, por esta altura, uma série de equívocos táticos (a começar pelo posicionamento de Gudelj) acentuados pela proibitiva e copiosa derrota averbada em Portimão, perante o último classificado da Liga, que colocou José Peseiro numa encruzilhada sem saída à vista. A equipa não só não joga bem, como deixou de fazer aquilo que pelo menos ia fazendo no início de época: ganhar. 

A derrota de Portimão gerou este cenário de pré (?) crise, mas os sinais já vinham de trás. A segunda parte do jogo com o Marítimo, que o Sporting até venceu por 2-0, em Alvalade, foi verdadeiramente inenarrável. Perante um dos piores "Marítimos" dos últimos anos, que se revelou completamente ineficaz, José Peseiro retirou, a 13 minutos do final, um extremo desequilibrador (Jovane) e colocou em campo um médio de cariz defensivo (Misic) numa demonstração desnecessária de receio, que não escapou a um enorme coro de assobios por parte dos adeptos exasperados perante uma segunda parte verdadeiramente aterradora para uma equipa em clara vantagem no marcador. De resto, o próprio triunfo em Poltava, diante do modesto Vorskla, sucedeu fruto de dois acasos em mais uma exibição paupérrima. Os leões venceram mas podiam perfeitamente ter perdido.

Neste contexto, os sócios e adeptos do Sporting perceberam e sentiram que o desaire de Portimão não terá sido um acidente de percurso, um mero percalço. Para o cenário mudar, é preciso alterar muita coisa no reino de leão.

Qual a saída? Colocar a equipa a jogar bem e a vencer seria a via mais óbvia mas isso tem-se revelado verdadeiramente incompatível. Nem o facto de José Peseiro ter sido forçado a remodelar o onze, fruto da saída de sete habituais titulares da época passada pode servir como justificação. Os dias, as semanas, os meses vão passando e os leões não apresentam um fio de jogo minimamente consistente. A equipa não revela a qualidade que se exige a um candidato ao título na saída de bola, raramente consegue criar desequilíbrios resultantes da envolvência coletiva e vive dos repentismos de Nani, Raphinha, Jovane ou Bruno Fernandes. Muito pouco para um clube com a exigência do Sporting.

P.S. - Abel Ferreira, numa das conferências de imprensa mais interessantes da época, pese embora os "lugares comuns" a que costuma recorrer, afirmou no final do desolador empate a um golo com o Rio Ave, que Benfica, FC Porto e Sporting têm, todos, melhor treinador do que o SC Braga. Será mesmo assim?

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