Opinião
Já chega, Engenheiro
Mauro
2018-06-28 14:00:00

Portugal joga mal, muito mal. Jogou mal contra a Espanha, contra Marrocos e contra o Irão. Não foi superior a nenhum dos adversários com que jogou na fase de grupos do Mundial, a ronda teoricamente mais acessível, e a qualificação para os 'oitavos' é uma verdadeira dádiva tendo em conta o que se viu nos três desafios. O maior culpado é Fernando Santos, claro. O Engenheiro não tem conseguido tirar toda a qualidade do plantel, seja por que motivo for, e tem de ser responsabilizado.

Chega a ser triste perceber que os jogadores em maior destaque na equipa lusitana no conjunto dos três jogos da fase de grupos foram, para além de Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e Pepe. Se o campeão da Europa e cabeça de série no sorteio do Mundial tem um guarda-redes e um defesa-central entre os três melhores jogadores da equipa na fase de grupos (onde os adversários são mais acessíveis), algo não está a ser bem feito. Há vários atletas em sub-rendimento, como Bernardo Silva, Gonçalo Guedes ou Bruno Fernandes, e o meio-campo português, apesar de recheado de vários talentos individuais, está a ser o ponto mais fraco da formação lusa. As bolas chegam em más condições ao ataque e, quando a ganhar, Portugal não consegue segurar a posse. As consequências dessa atitude são óbvias: os oponentes ganham força e Portugal fica mais longe do 2-0.

O problema da Seleção Nacional não é o facto de ser influenciada pela forma de Cristiano Ronaldo. Isso é normal e acontece com todas as equipas onde estão os grandes jogadores, os melhores do planeta. O problema é que Portugal leva essa tendência ao extremo. No duelo ibérico isso foi disfarçado por um super CR7, mas viu-se bem nos restantes encontros. Ronaldo até marcou contra Marrocos, mas não foi tão influente como contra Espanha e Portugal, sem um Cristiano inspirado, faz pouco ou nada. Até foi preciso uma enorme defesa de Rui Patrício para que os africanos não conseguissem o merecido empate. Já contra o Irão, Cristiano Ronaldo falhou um penálti e passou ao lado do jogo, o que voltou a fazer com que Portugal criasse muito pouco a nível ofensivo. Valeu a obra de arte de Quaresma.

Dir-me-ão alguns que o mais importante é ganhar e passar, independentemente da qualidade exibicional. Não podia estar mais de acordo até um certo ponto. O mais importante na competição ao mais alto nível só pode ser ganhar, que não se tenha dúvidas, mas Portugal podia estar muito mais perto de cumprir esse objetivo se tirasse o melhor rendimento da equipa. Não faço ideia qual vai ser o resultado contra Uruguai, mas sei que os sul-americanos têm um conjunto muito forte, uma dupla atacante das melhores do torneio e dois centrais de excelência que treinam juntos todos os dias. Por isso, é melhor que Fernando Santos faça alguma coisa.

PS - Se, por acaso ou não, Portugal voltar a levantar o caneco a jogar desta maneira, ficarei muito feliz em admitir que Fernando Santos é um verdadeiro génio. Espero ter esse gosto.