Opinião
E à volta de Cristiano?
Mauro
2018-08-17 14:00:00
Luís Catarino é comentador da Sport TV e escreve no Bancada às sextas-feiras.

Começa amanhã uma nova edição da Serie A italiana e a estreia acontece no Bentegodi, em Verona. O Chievo recebe a Juventus e é garantido que os ‘bianconeri’ se lançam para uma das temporadas mais desafiantes da sua história. Manter a supremacia no País da Bota é cláusula obrigatória, mas todas as baterias apontam à Europa.

Desde a final do Olímpico de Roma em 1996, e do olhar matador de Jugovic na altura de converter o derradeiro penalty na baliza de Van der Sar, que a Juventus não se consagra como a formação mais forte do Velho Continente. E esse é um assunto que Agnelli, Marotta, Paratici, Nedved e Allegri querem tratar. Para ontem.

Depois da decisão ganha ao Ajax, houve cinco tentativas falhadas da Juve na final da Champions. E é aí que entra a chegada de Cristiano. A aquisição do Bola d’Ouro traz, em todos os parâmetros possíveis, uma força extra para as zebras, agora ainda mais capazes de se imporem na corrida pela maior competição internacional de clubes, ao mesmo tempo que se extraiu um membro no campeão em título, o Real Madrid.

Allegri tem unhas para esta guitarra e a afinação é a melhor dos últimos anos. O treinador da Juve é dos estrategas mais perspicazes na hora de gerir as nuances durante os jogos e até João Cancelo lhe dá uma projeção atacante muito mais letal no flanco direito. Desde Dani Alves que os ‘bianconeri’ não tinham ninguém tão dominante para a posição. Em teoria, o Inter também ficaria a perder, mas Spalletti conseguiu compensar bem com a aquisição de Vrsaljko, novo elemento para enriquecer a colónia croata do Inter. Falando da concorrência da Juve, o Inter é o plantel que mais pode ameaçar o emblema piemontese. Higuaín fez o Milan subir alguns furos, mas atenção à Roma que está muito bem elaborada. O último a chegar a Trigoria foi um campeão do mundo: N’Zonzi, para o meio-campo.

Uma das notícias mais importantes para a temporada 2018/19 da Juventus foi o regresso de Leo Bonucci à casa que o tornou vencedor. A Juventus sacrificou um defesa-central de futuro como Caldara, enviado para Milanello, e também por aí se comprova que em Turim se ataca a Champions fortemente já nesta época. Com Bonucci, afastando Caldara, não é para ganhar daqui a dois ou três anos. É agora. E o mesmo princípio pode ser aplicado a Cristiano, cuja longevidade não é fácil de definir e, por isso, se tente aproveitar os seus recursos o mais rapidamente possível.

Douglas Costa (centro-esquerda) e Dybala (centro-direita) serão coadjuvantes de Cristiano numa linha DDC no ataque. Brasileiro e argentino deverão começar de posições-base mais interiores no campo, contando que Cancelo e Alex Sandro (caso o PSG não o leve de Turim) marquem presença em zonas adiantadas dos respetivos flancos, ao mesmo tempo que Emre e Matuidi também fornecem apoio com desmarcações verticais para desajustar o aparelho defensivo do oponente ou simplesmente para romper com efeito surpresa e rematar. O ‘quarterback’ é Pjanic, lançador preciso e um dos melhores especialistas mundiais de livres diretos, qualidade trabalhada nos tempos do Lyon com Juninho Pernambucano.

Pode acontecer que os três atacantes revelem bastantes trocas posicionais, sem tantas preocupações defensivas posteriores, isto porque ficariam salvaguardados pelos três médios que garantem mais cobertura à equipa no momento da perda de bola e transição defensiva. Em ataque, Cristiano gosta de procurar o lado esquerdo e, com isso, Dybala pode aproximar-se da grande área e Douglas Costa trocar para o lado direito. Mandzukic (força/jogo aéreo/missão defensiva), Cuadrado (sprint), Bernardeschi (remate e improviso) e Kean (desmarcação e golo) dão outras possibilidades de variar a configuração atacante, sem grande perda de qualidade, ao mesmo tempo que Bentancur (perfume), Marchisio (gestão) e Khedira (cobertura e rotura) podem refrescar o meio-campo, todos com perfis complementares.

Para já, até porque Allegri é mais defensor do sistema “4-3-fantasia”, não se perspetiva a utilização de um desenho com três defesas-centrais. No entanto, isso pode acontecer lá mais para a frente na campanha, como já aconteceu no passado mediante a exigência dos jogadores e do conforto que eles procuram para encarar uma determinada fase de menor confiança ou dependendo do adversário em questão.

Daí que não seja uma heresia pensar futuramente na retoma de uma BBC atrás como já aconteceu no sucedeu no passado com Barzagli, Bonucci e Chiellini. Se isso for retomado, se calhar Benatia até jogará em vez de Barzagli, que até é o elemento atual do plantel ‘bianconero’ com mais campeonatos ganhos: 7 pela Juve e outro pelo Wolfsburgo. Trocar-se-ia um ‘B’ por outro. Sem Buffon, Szczesny é o titular, merecidamente depois da grande temporada que havia feito na Roma.

Luís Catarino é comentador da Sport Tv e escreve no Bancada às sextas-feiras.