Opinião
Deixe-se disso Sr. Sampaoli, o futebol não merece
2018-03-29 14:00:00

Não há justificação possível para que alguém nos prive, a nós, amantes do futebol, de apreciar as qualidades de um jogador como Paulo Dybala no maior palco futebolístico do Mundo. Jorge Sampaoli, selecionador da Argentina, alertou para a possibilidade de não convocar o jogador da Juventus para o Mundial’2018 por entender que Dybala não encaixa com Messi dentro das quatro linhas. Mas será mesmo essa a razão? Ou será que Sampaoli usa do subterfúgio técnico-tático para evitar um choque de egos? Fugir a algo que possa deixar Messi menos confortável, talvez. É que não me cabe na cabeça que um treinador com a experiência e o conhecimento de Sampaoli não consiga arranjar maneira de ter Messi e Dybala na mesma equipa.

É verdade que podemos identificar algo de Messi em Dybala. É verdade que ambos os jogadores gostam de pisar terrenos semelhantes nas respetivas equipas. É verdade que ambos apresentam um historial de alguma instabilidade mental, veja-se o caso de Messi e o adeus precipitado à seleção ou o choque entre Dybala e o treinador da Juventus Massimiliano Allegri. E é também verdade que Jorge Sampaoli tem pouco tempo para trabalhar a forma de fazer com que estes dois craques joguem na mesma equipa sem que se atropelem um ao outro. Mas caramba, será que o futebol se tornou tão mecanizado e robotizado de tal maneira que impeça que dois jogadores da estirpe de Messi e Dybala possam vestir as mesmas cores? Eu quero acreditar que não.

A Sampaoli foi entregue uma missão: fazer da Argentina campeã do Mundo, algo que não acontece desde 1986, quando Diego Armando Maradona liderou uma equipa de jogadores banais ao título maior do futebol mundial. E é por isso legítimo que o selecionador tome as decisões que achar mais acertadas para levar o barco a bom porto. Já se percebeu, com a experiência que vamos adquirindo ao longo dos anos, que uma competição como um Mundial tem as suas especificidades. Joga-se num curto espaço de tempo, mas os jogadores passam mais tempo juntos do que o normal. Portanto, mais do que a qualidade do futebol, importa, nestes casos, construir uma equipa onde cada um tenha definido o seu papel. E pode ser aqui que Messi e Dybala não encaixem.

Mas o que não é legítimo, para Jorge Sampaoli, é dizer que está a considerar não incluir Paulo Dybala numa lista de 23 homens porque o jogador é futebolisticamente incompatível com Messi. Não pode ser essa a razão que ocupa a mente do selecionador argentino e que põe em risco a viagem de Dybala até à Rússia para disputar o Mundial que se disputará nos próximos meses de junho e julho. O futebol e os amantes do futebol não merecem tal crueldade. Mais: os argentinos não merecem que o selecionador castre a equipa de tão genial jogador, até porque nunca se sabe o que poderá acontecer com Messi durante a prova. Aliás, como se viu na pesada derrota da Argentina diante da Espanha (6-1), onde Messi não jogou por razões físicas, Dybala poderia, perfeitamente, ter feito parte da equipa inicial.

Diga o senhor Sampaoli que não quer levar Paulo Dybala ao Mundial porque a presença do jogador da Juventus pode ser um risco para o equilíbrio da estrutura da equipa fora dos relvados e eu calo-me. Tem todo o direito de colocar os interesses do grupo à frente de tudo o resto. O que me custa a entender é que a razão, na base de uma eventual não ida de Dybala ao torneio russo, seja meramente futebolística. Resta-nos esperar pela convocatória final para perceber se prevalece o amor ao jogo e ao lado mais artístico do futebol ou se, pelo contrário, sai por cima a força que insiste em mecanizar e robotizar este desporto de que tanto gostamos.

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