Prolongamento
Canelas 2010 parece mais calmo nesta temporada. Será?
Diogo Cardoso Oliveira
2017-11-11 20:00:00
Há Canelas, Benfica, um Super Dragão “amigo”, elogios de Manuel Machado e pancada nas bancadas.

No Canelas 2010, a agressividade, os confrontos e a intimidação transformaram-se em apenas alguns momentos de desvario, mais calma e jogos globalmente normais. Mas uma coisa é certa: o passado recente do Canelas 2010 – enevoado pelos episódios de agressões e intimidação – ainda provoca medo nos adversários, que se recusam a falar ao Bancada sobre este assunto. Muitos justificam-no por ser “um tema delicado” e algo que “pode trazer problemas”. Neste texto, teremos Canelas, Benfica, um Super Dragão “amigo”, elogios de Manuel Machado e pancada nas bancadas. A ler mais à frente.

Não obstante o medo de alguns, houve quem falasse ao Bancada. João Santos, mais conhecido por Miccoli, joga na AD Sanjoanense e defrontou o Canelas já nesta temporada. Um jogo que podemos definir como normal, dentro do relvado, mas que terminou mal, fora dele.

Penso que os episódios negativos são sempre os desacatos que ocorrem no desporto. No fim do jogo, foi público o que aconteceu”, disse, referindo-se aos episódios de pancadaria ocorridos no final da partida. Jogadores e elementos técnicos do Canelas chegaram mesmo a subir às bancadas para se envolverem nos desacatos.

“Um da nossa equipa fazia parte da claque dos Super Dragões”

Fazemos uma pausa na temporada 2017/18 e voltamos a 2016/17, época na qual o Canelas conseguiu a subida aos nacionais. Na primeira fase da divisão mais alta da AF Porto, o Canelas venceu 16 (!!!) jogos por falta de comparência do adversário. Tudo por causa de um boicote organizado pela maioria dos clubes, em protesto com o clima de intimidação a adversários e árbitros criado pelos jogadores do Canelas.

A única equipa que se absteve do boicote foi o CD Candal. O jogo entre essas equipas acabou, por isso, por ser especial. Hélder Duarte, que jogava nessa equipa, reconheceu, ao Bancada, que houve algum receio antes desse jogo. “Não tínhamos receio propriamente por causa do físico, mas sim na abordagem que os árbitros tinham nos jogos deles. Eram, muitas vezes, beneficiados e temíamos que os árbitros pudessem estar condicionados e prejudicar-nos”, recorda.

A posição de não aderir ao boicote foi, para Hélder Duarte, um ponto a favor aos olhos do Canelas: “Houve uma troca de galhardetes e camisolas antes do jogo, como se de um jogo especial se tratasse. No fundo, até era, porque o Canelas já não competia há muito tempo e agradeceram-nos por não nos termos juntado à decisão das restantes equipas. Durante o jogo sentimo-nos bem, não houve nenhum caso mais grave nem nada. De certa forma, também ficámos bem vistos por parte do Canelas por não termos participado no boicote”.

O Valadares Gaia FC foi um dos que aderiu ao boicote. Ricardo Costa, jogador dessa equipa, garantiu que foi uma decisão 100% tomada pela direção do clube e que os jogadores queriam jogar. Até porque, disparou: “Receio de jogar? Não, até porque tínhamos um da nossa equipa que fazia parte da claque dos Super Dragões como a maioria dos jogadores do Canelas. O próprio Macaco [Fernando Madureira, líder da claque do FC Porto] era amigo do nosso presidente, por isso podia ser que houvesse mais amigabilidade”.

Mas havia ou não uma agressividade excessiva? Para Ricardo Diogo, jogador do Padroense FC, última equipa a defrontar o Canelas antes do boicote, não era nada de extraordinário. “Eram uma equipa agressiva, mas não houve casos por aí além. Poderia o árbitro ter expulso um jogador do Canelas, mas acho que foi um jogo bem disputado. Mas, como disse, eram uma equipa agressiva e aguerrida. Davam tudo por cada lance”, recordou, ao Bancada, antes de dizer que não queria alongar-se mais sobre este assunto.

Não houve o desejado Benfica, mas houve elogio de Manuel Machado

Nesta temporada, o Canelas conseguiu chegar à terceira eliminatória da Taça de Portugal. Só perdeu frente ao Moreirense, num jogo que, para Manuel Machado, treinador dos cónegos nessa fase da temporada, decorreu dentro da normalidade. Ouçamos, à boleia do zerozero.pt.

No sorteio desta eliminatória, o Canelas pretendia que lhe calhasse um adversário em particular. O Benfica, claro. As palavras são de Fernando Madureira: "Pelo ódio que tenho por eles [Benfica] e para lhes fazer a vida negra. Iríamos transformar em força todo o ódio que temos por eles. Seria um jogo de raiva", explicou, em declarações ao “Jornal de Notícias”.

Confusão cá fora, mais calminha lá dentro

Voltamos ao Canelas 2010 atual. Ainda sobre o tal jogo frente à Sanjoanense, João Miccoli garante que, apesar dos desacatos nas bancadas, no relvado foi tudo dentro da lei. “Foi um jogo intenso, como têm sido os jogos deste campeonato. Cada equipa tem um estilo de jogo próprio. Há equipas que preferem um jogo mais apoiado e pensado, outras mais intenso, com menos espaço e mais duelos”, diz, sobre o Canelas, antes de reconhecer alguma apreensão antes do jogo. “Claro que antes do jogo havia sempre não digo um receio, mas sim diferentes perspetivas de todos nós do que poderia acontecer”, recorda.

Mais do que testemunhos que, como já vimos, não são feitos de “peito aberto”, vamos ver os números. As estatísticas disciplinares do Canelas, nesta temporada, não são dignas de “meninos do coro”, mas também não evidenciam pancadaria de meia noite durante os jogos.

Entre 80 equipas, o Canelas 2010 é a sexta com mais cartões amarelos, segundo dados consultados no portal Futebol 365. No entanto – e apesar do número de amarelos ser elevado –, o número de expulsões não é tanto assim. O Canelas é uma das 27 equipas que já tiveram um jogador expulso, mas outras há que já tiveram mais do que um.

Nesta temporada, o Canelas parece mais calmo, apesar de um ou outro momento de desvario. Ainda assim, o medo continua a assombrar quem defronta o Canelas, não tanto pelo presente, mas, sobretudo, pelo passado. 

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