Visto da Bancada
Jorge Franco (nº 154)
Eduardo Botelho
2017-11-13 11:00:00
O fã número 1 da Seleção recordou a partida em que Portugal garantiu o apuramento para a África do Sul.

Jorge Franco é dono do Hotel A Seleção e é o auto-intitulado fã número 1 da Seleção, pelo que, o jogo mais marcante a que assistiu tinha de ser da equipa portuguesa. No entanto, mesmo tendo estado em Paris a assistir à final do Euro 2016, que Portugal conquistou, não foi esse o jogo que Jorge recordou como mais marcante. Não. Foi o Bósnia 0–1 Portugal, de 2009.

E esse jogo foi marcante não tanto pelo que se passou dentro das quatro linhas, onde Portugal venceu com um golo de Raúl Meireles, num campo em muito mau estado, mas pelo que a vitória significou. “Isto porque era um sonho que eu tinha ir à África do Sul”, revelou Jorge. “Tínhamos dito que, se Portugal fosse ao Mundial, nós íamos de caravana para a África do Sul. Isso é uma coisa única na vida e, quando Portugal foi apurado... eh pá..., eu chorei muito, a sério, muito muito”, recordou.

É que aquela vitória na Bósnia, na segunda mão do play—off, carimbou a passagem de Portugal para o Mundial 2010, na África do Sul. E mais do que no jogo daquela noite, o pensamento de Jorge já estava na aventura que sabia que teria pela frente. “Foi a coisa mais louca que eu já tive na minha vida. Portugal ganhou e eu lembro-me de ir no autocarro onde iam os sponsors da Seleção e estavam todos a querer dormir naquele autocarro e eu passei a viagem toda a dançar de um lado para o outro. Sei lá, eu cantava... acho que foi das coisas mais felizes da minha vida.”

Jorge planeou e cumpriu. Meses depois patriu de Portugal juntamente com dois amigos, Carlos Brum e Joaquim Baptista, e passou por Espanha, França, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Etiópia, Quénia, Tanzânia e Moçambique até chegar à África do Sul. Tudo em nome da Seleção. Mas, embora o que tenha tornado aquele dia tão especial tenha sido a confirmação de que iria atravessar África numa autocaravana, Jorge também guarda memórias da Bósnia. Principalmente do ambiente a envolver a partida. “Antes do jogo não foi fácil. Eu estava num hotel separado, mas quando fiz a viagem até ao estádio [na cidade de Zenica] fui logo para dentro do hotel da Seleção. E já não saí dali. Quando se vinha cá fora para alguma coisa, estava um ambiente mesmo hostil, tudo a querer “matar-nos”, entre aspas. E quando fomos lá para dentro do estádio também foi cheio de polícias ali à volta. Fomos ali bem protegidos e quando acabou o jogo foi igual, foi um ambiente muito complicado. Fizeram tudo para Portugal não ganhar, desde nos pôr a jogar lá no campo das batatas... mas acho que a Seleção é boa é nisso, nas partes difíceis. Quando as coisas são muito fáceis, facilitam, mas quando há aquela coisa do orgulho ferido a seleção é muito forte”, explicou.

Data: 18 de novembro 2009

Local: Estádio Bilino Polje, Zenica

Golo: Raúl Meireles, 56’

Bósnia-Herzegovina: Hasagic, Pandza, Nadarevic, Jahic, Salihovic, Ibricic, Medunjanin (Muslimovic 45’), Pjanic, Bajramovic (Berberovic 82’), Ibisevic, Dzeko.

Treinador: Miroslav Blazevic

Portugal: Eduardo, Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Duda, Pepe, Tiago, Raúl Meireles, Nani (Edinho 73’), Simão (Deco 80’) e Liedson (Miguel Veloso 90’).

Treinador: Carlos Queiroz

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