Visto da Bancada
João Mendonza (Nº270)
Diogo Cardoso Oliveira
2018-04-16 12:30:00

Da música para o futebol, o artista português João Mendonza, jovem tenor, conta, ao Bancada, um jogo que motivou uma mudança de clube.

Ainda no antigo Estádio da Luz, o ainda muito tenro João foi, pela mão do avô, ver um Benfica-Paços de Ferreira. Tratava-se de um fervoroso adepto do Benfica a tentar converter ao benfiquismo um jovem adepto do... Vitória de Setúbal. “Eu desde pequeno que apoiava o Vitória de Setúbal, por ser o clube da cidade onde nasci, mas, sinceramente, não era um grande aficionado de futebol como sou hoje. O meu avô materno, como fervoroso benfiquista, sempre quis passar-me esse legado e, um dia, após várias tentativas, lá conseguiu levar-me...”, conta o cantor.

Como converter um jovem a um clube? Fácil. É ter um estádio gigantesco, um ambiente excitante e... golos. Muitos golos.

Aquele Benfica-Paços trouxe tudo isto. “Bastou-me meter os pés naquele estádio cheio para perceber realmente porque razão se chamava "Inferno da Luz". Lembro-me de ver muitos milhares de pessoas a vibrarem como nunca, duma forma inexplicável para mim. A energia da Luz cativou-me de tal maneira que me deixou totalmente enfeitiçado - e o jogo ainda nem tinha começado”, começa por contar, ao Bancada, antes de falar do que faltava. Os tais golos: “Ganhámos 7-0, num jogo frenético e único. O meu avô só dizia que parecia o Benfica dos tempos dele”.

Rapaziada bem conhecida

Naquele Benfica, recorda João Mendonza, havia malta bem conhecida. Tiago, Nuno Gomes, Roger e não só: “Havia um rapazito franzino, que tinha vindo de Angola, Pedro Mantorras. Marcaram todos. O Mantorras marcou os dois últimos, recordo-me bem, num dos festejos correu como uma gazela quase meio estádio”.

O final deixamos a cargo do artista.

“Foi um dia em cheio para mim porque aquele jogo mudou a minha vida, apaixonei-me pelo clube e tornei-me logo sócio. Hoje continuamos a ir ao estádio com a companhia do meu tio também. Agradeço-lhes por ajudarem a dar continuidade a um legado que já vem do meu bisavô. A culpa também foi daquele jogo e daquele estádio de que nunca me irei de esquecer. Obrigado Avô”

Para os mais saudosistas, deixamos os onzes desse jogo, escolhidos por Jesualdo Ferreira e José Mota. Os golos foram de Tiago (2), Roger, Nuno Gomes, João Manuel Pinto e Mantorras (2).

Benfica: Moreira; Cristiano, João Manuel Pinto, Ricardo Rocha, Éder; Tiago, Andersson, Ednilson, Roger; Nuno Gomes e Mantorras. 

Paços de Ferreira: Pinho; Mário Sérgio, Zé Nando, Adalberto, João Armando; Beto, Paulo Sousa, Júnior; Zé Manel, Mauro, Carlos Carneiro.

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