Visto da Bancada
Guilherme Matos (nº150)
João Pedro Cordeiro
2017-11-09 12:30:00
Médio do SC Vista Alegre recorda a tarde em que esqueceu a opção clubística e festejou um titulo com os amigos na mesma.

Estádio da Luz, maio de 2010. Frente ao Rio Ave, o Benfica deu início a um período especial na sua história recente. Seis anos depois, o emblema encarnado voltou a sagrar-se campeão nacional e ainda que os três títulos que lhe sucederam tenham sido vencidos pelo FC Porto, o título conquistado em 2010 foi o primeiro de um período em que o emblema da Luz retornou, igualmente, a finais europeias. Em 2009/10, porém, o Benfica precisou esperar pela última jornada para festejar o regresso aos títulos. Muito por culpa de uma derrota por 3-1, no Dragão, à 29ª jornada, que impediu o conjunto de Jorge Jesus de festejar o título nacional mais cedo e em casa do grande rival. Com dois golos de Óscar Cardozo, o último dos quais já em cima dos dez minutos finais da partida, golos que anularam o tento de Ricardo Chaves, o Benfica alcançou o 32º título nacional da sua história. Os festejos na Luz e um pouco por toda a cidade de Lisboa não tardaram e nem as equipas jovens do clube encarnado escaparam aos mesmos.

Guilherme Matos era um deles. Hoje ao serviço do Vista Alegre e já depois de passagens pelo União de Leiria, Beira Mar, Oliveira do Bairro ou GD Gafanha, em 2009/2010, Guilherme Matos era um dos jogadores da equipa de juvenis do Benfica e em conjunto com Fábio Cardoso, colega de quarto de então e grande amigo de Guilherme, José Costa – hoje em Penafiel -, mas também Guzzo, Rebocho, Cafu ou Estrela, festejou efusivamente a vitória por 2-1 frente ao Rio Ave. Para o jovem médio, hoje com 23 anos, a ocasião foi particularmente enigmática. "Isto na altura marcou me muito e até foi curioso porque sou portista ferrenho, mas, nessa noite, parece que esqueci a rivalidade e torci com eles como se fosse adepto benfiquista tal era a alegria e a euforia das pessoas e dos meus amigos!" Confidencia ao Bancada, Guilherme Matos. "Nesse mesmo momento nem pensei muito bem no que estava a fazer, mas como era tão especial para as pessoas de quem gostava e para a instituição da qual fazia parte, acabei por até gostar desse sentimento". 

A festa do título do Benfica em 2010 não se resumiu ao Estádio da Luz ou ao Marquês de Pombal, praça lisboeta tão procurada para o festejo dos sucessos desportivos dos clubes de Lisboa. No Seixal, a Sul do Tejo e terra do centro de estágio do Benfica, a festa também foi viva e contou com a presença dos jovens atletas do clube encarnado. "Voltamos para o centro de estágio no autocarro do Benfica e já achavam que éramos o plantel principal, estivemos imenso tempo a festejar com as pessoas dentro do autocarro ao longo do percurso até ao Seixal. Quando lá chegamos “fugimos” todos do centro de estágio e fomos festejar para o centro do Seixal" recorda-nos Guilherme Matos. 

Desde então; desde a vitória do Benfica por 2-1 perante o Rio Ave à 30ª jornada da liga portuguesa 2009/10, não só o Benfica retornou a finais europeias em 2013 e 2014, como o clube da Luz venceu mais quatro títulos nacionais. Um título que deu, por isso, início a um período de fulgor que há muito não se via para os lados da Luz.  

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