Visto da Bancada
Gonçalo Fernandes (nº281)
Sérgio Cavaleiro
2018-05-12 12:30:00
O Trombinhas jamais esquecerá a noite em que se viu a rolar bancada abaixo do antigo Estádio de Alvalade

O Trombinhas jamais esquecerá a noite em que se viu a rolar bancada abaixo do antigo Estádio de Alvalade, sem cadeiras para o parar. O Sporting preparava a temporada com mais um jogo de caráter particular e, naquela noite fresca, a cara de um dos anúncios comerciais mais castiços de Portugal quis proteger-se do frio. As coisas correram mal e é com muita sorte que Gonçalo Fernandes está cá hoje para nos contar este episódio.

Quem não se recorda do anúncio da Mimosa no qual uma criança via crescer-lhe uma tromba de elefante? Exato. O Bancada encontrou o rapazola, agora com 33 anos, que se meteu nessa aventura e ainda descobriu que Gonçalo, também conhecido como Russo - vai-se lá saber porquê - viu a vida a andar para trás quando quis festejar um golo do “seu” Sporting acabando a rolar pela bancada abaixo.

“Isto aconteceu há mais de 25 anos. Não me recordo do jogo, até porque era um amigável de pré-época. Lembro-me que estava uma noite fresca e o estádio estava vazio”, explicou o Russo, fazendo um esforço de memória. “O que me lembro, e muito bem, é que me sentei e levei as pernas ao peito. E, para me proteger do frio, fechei o casaco por cima das pernas. Ou seja, fiquei tipo ovo, com o caso a cobrir-me.”

Até aqui tudo bem, o pior aconteceu quando o Sporting marcou. “A certa altura o Sporting marcou e o meu instinto foi festejar. Acontece que eu estava preso dentro do casaco, com os braços e pernas presos. Com o impulso comecei a rolar pelas bancadas, que estavam quase vazias, e só parei uns bons lanços à frente, depois de muitas pancadas no cimento. E só parei porque encontrei as costas de alguém. Se não fosse isso tinha morrido. Nós estávamos cá em cima, quase no topo da bancada sul”, lembrou.

As coisas não foram assim tão más e Gonçalo saiu de Alvalade, apenas, com alguns arranhões e muitas nódoas negras. A partir dessa noite, Russo aprendeu que o frio é coisa da mente e que os casacos podem ser armas letais.

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