Visto da Bancada
Dinarte de Freitas (Nº294)
Diogo Cardoso Oliveira
2018-07-30 12:30:00
Dos recantos da sua memória, Dinarte traz-nos merendas, laranjada, gritos, caneladas, sopapos e calor humano.

Na edição 294 do “Visto da Bancada", falámos com Dinarte de Freitas, ator português que, no Mundo da representação, se tem dividido entre Portugal e Estados Unidos. O madeirense aceitou o nosso desafio para relembrar um jogo de futebol e, entre viagens de avião e gravações, arranjou um tempinho para, como o próprio reconhece, recuar até memórias de infância. Já agora, um pequeno pormenor: Dinarte é primo de... Rúben Ferreira, lateral do Marítimo. A ligação ao Mundo da bola está, portanto, mais do que assegurada.

Vamos fugir um pouco à lógica habitual da nossa rubrica e, desta vez, o relato fica totalmente a cargo de Dinarte, que nos recordou, claro está, um jogo do primo Rúben. Dos recantos da sua memória, Dinarte traz-nos merendas, laranjada, gritos, caneladas, sopapos e calor humano.

“Apesar de ter nascido na “terra” do Ronaldo, o futebol nunca foi um desporto que me despertasse interesse. Crescendo na ilha, via os meus amigos jogar com uma bola improvisada, feita de meias enroladas e trapos. Já eu preferia jogar ao pião. A ideia de correr atrás de uma bola não me parecia interessante. Os meus primos, no entanto, começaram, desde cedo, a aprender a jogar. O Daniel jogava no Nacional e o Rúben no Marítimo. O Daniel parou de jogar cedo, mas o primo Rúben continua no 'glorioso'. Um dia, fui assistir a um jogo dele. Dentro da sacola - e às escondidas -, uma merendinha que incluía uma garrafa de laranjada para os “piquenos”, copos de plástico e bolachas Maria. Ao fundo, já se ouvia os gritos do meu pai: “Corre!! Vai Rúben! Dá-lhe! Tira-lhe a bola!”. De repente, PUM! Alguém cometeu uma falta. Uma canelada! Da plateia: “Olha, aquele levou um sopapo! Levanta-te!! Vaaaiiii!”. O campo de futebol transformou-se numa arena de gladiadores, onde ganhar era imperativo e a derrota uma humilhação grave. A plateia dividiu-se em duas claques e passámos a ser adversários. De súbito, um Goloooooooo!!! Dou por mim a celebrar a vitória num jogo, com a emoção de uma criança que nunca tinha sentido o calor humano de uma multidão. No final, não existiram vencedores ou vencidos. Éramos, afinal de contas, amigos, irmãos, pais e mães, que vieram apoiar os seus filhos, num jogo amigável. Hoje, celebro a emoção do futebol sempre que posso, especialmente para ver jogar o Ronaldo, o “menine” da nossa terra!”.

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