Visto da Bancada
Camilo Lourenço (nº 279)
Sérgio Cavaleiro
2018-05-05 12:30:00
Camilo Lourenço recorda a montanha russa de emoções que encontrou um fim na rebeldia de Ricardo

O jogo que recordamos no Visto da Bancada de hoje foi um serviço de emoções que poucos conseguirão explicar por palavras. Primeiro porque variaram entre a depressão e a euforia como quem sobe e desce uma montanha russa qualquer, e sobretudo, porque significou a demonstração de superioridade dos portugueses em relação aos ingleses… mesmo que tenha sido só nos penáltis. Camilo Lourenço estava no Estádio da Luz e lembra-se do convencimento inglês que pairava no ar depois do golo de Owen, logo aos três minutos, num encontro que sorriu a dez milhões de corações.

Portugal jogava com a Inglaterra, na Luz, em partida a contar para os quartos de final do Euro 2004, o tal que foi disputado em terras lusas, e as coisas até começaram a correr muito mal. Camilo Lourenço recorda o ar de satisfação dos ingleses, espalhados pelas bancadas do Estádio da Luz, “convencidos de que passavam aquela eliminatória.”

“Perto do lugar onde eu estava, estavam uns ingleses que ficaram loucos. Iam convencidos de que passavam aquela eliminatória, o Owen marcou ainda cedo e Portugal parecia que nunca ia empatar o jogo. Estavam mesmo convencidos de que iam passar aquilo. Mas depois Portugal marcou e foi um sarilho para eles”, recorda Camilo que percebeu um certo mal-estar na altura em que Luís Figo deu lugar a Hélder Postiga, o autor do golo que valeu o empate, já na reta final do encontro.

“Mas o que foi mais marcante, na minha opinião, foi quando o Scolari tira o Figo para meter o Postiga. Percebeu-se que ali podia haver um sarilho no grupo de trabalho. O Figo saiu muito chateado, nem sequer saiu pela linha lateral. Vinha a abanar a cabeça o caminho todo. Mas o Scolari depois geriu muito bem a situação. Até na conferência de imprensa lidou bem com a questão”

Com o golo salvador de Postiga, o jogo teve mais 30 minutos de emoções. Mais uma volta na montanha russa. Primeiro, a euforia graças ao golo de Rui Costa e depois, a depressão com o empate inglês. O autor: Frank Lampard. Só havia uma maneira de resolver isto: com mais uma carrada de emoções. Quem não se diverte com os pontapés de penálti, certo? Pois.

“O Beckham falhou o penálti, mandou por cima e mais tarde soube-se que  tinha escorregado. Mas, por acaso, lembro-me de ter dito a quem estava comigo que o Beckham ia falhar e acabou mesmo por falhar”, recordou Camilo que ficou com o coração “enregelado” com o penálti à Panenka de Postiga.

Mas o melhor estava para vir. Ricardo resolveu a questão dos penáltis de uma forma que jamais será esquecida por nenhum português (e inglês). O guarda-redes decidiu que ia defender o penálti de Darius Vassell sem luvas (!!!). Surpreendido com a rebeldia do guardião luso, o atacante permitiu mesmo a defesa de Ricardo. O resto… bem, o resto fica explicado na conversa que Camilo teve com o protagonista.

“Uns anos mais tarde estive com o Ricardo e perguntei-lhe o que é que lhe passou pela cabeça na altura de ir marcar o penálti e ele respondeu: ‘Eu quando peguei na bola já a via lá dentro’”

Depois de defender a grande penalidade batida por Vassell, Ricardo agarrou na bola para ser ele próprio a marcar o penálti. Com um remate forte e colocado, Ricardo bateu David James e enviou Portugal para as meias-finais da competição que seria ganha pela Grécia. E ficamos por aqui.

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