Visto da Bancada
André Henriques (nº 166)
Luís Santos Castelo
2017-11-26 12:05:00
Jogo entre Benfica e Boavista para a final da Taça de Portugal de 1992/93 foi o escolhido

André Henriques tinha o jogo que mais lhe ficou na memória Visto da Bancada na ponta da língua e não demorou a responder. Assumido benfiquista, não foi de estranhar que essa partida tenha envolvido as águias. Tudo aconteceu quando o DJ e produtor de eventos era adolescente e foi ao Jamor ver uma final da Taça de Portugal.

"O jogo mais emocionante que eu tenho memória de ter visto foi uma final da Taça de Portugal há muitos, muitos anos. Devia ter uns 14 ou 15 anos, morava perto do Estádio Nacional e, na altura, o futebol era diferente, as coisas eram diferentes. Então, em todas as finais da Taça, eu tentava entrar de borla e normalmente conseguia. Na final da Taça da época de 1992/93, o Benfica jogou com o Boavista no Jamor e havia um gajo a jogar no Benfica que eu adorava e achava inacreditável e que ainda hoje estava nas bocas do mundo, que é o Paulo Futre", começou por dizer André Henriques ao Bancada.

A antiga voz das manhãs da RFM reforçou o seu 'velho amor' por Paulo Futre, que se havia juntado ao Benfica no início dessa temporada depois de vários anos com a camisola do Atlético Madrid. "Nós ganhámos 5-2 e o Futre marcou um golo do caraças. O Rui Costa também já jogava, o Rui Águas... A parte interessante é que eu consegui entrar de borla, ir para o meio dos Diabos Vermelhos e vi os 5-2 com o Futre que era, na altura, o meu ídolo. Foi o jogo de maior importância e mais espetacular que eu vi porque ganhámos a Taça", contou.

Para André Henriques, os jogos de final da Taça são como que um regresso ao passado, quando o futebol se jogava à tarde e "era mais puro". Hoje, há muita "distração" no universo futebolístico, pelo que os encontros disputados no Estádio Nacional são uma lufada de ar fresco.

"Os jogos do Jamor são bem mais festa que o resto. Quando era miúdo ia muito ao Estádio da Luz, aos domingos, porque o futebol era muito jogado à tarde. O 'mood' das pessoas que iam à bola ao domingo ou ao sábado à tarde era diferente das pessoas que vão hoje em dia. Era uma coisa muito mais de festa, de família, de amigos que se encontravam permanentemente no mesmo sítio. Hoje, acho que há excesso de distração à volta do futebol. Muito falatório, muitos dirigentes, muita arbitragem... Acho que as pessoas olham para o jogo com uma desconfiança que não olhavam na altura. Éramos mais inocentes, olhávamos de uma forma mais apaixonada. Era mais puro", admitiu, assegurando que "toda a gente diz que é a festa da Taça porque vais recriar um jogo à tarde, às 15h00 ou às 16h00, que é uma coisa que acontecia há 20 anos e já não acontece hoje. Dantes era sempre festa. O Jamor tem sempre aquele espírito".

Final da Taça de Portugal - 1992/93

Benfica: Neno (GR), William, Carlos Mozer, Veloso (C), Rui Costa (Hélder Cristóvão 77'), João Vieira Pinto, Paulo Sousa, Stefan Schwarz, Vítor Paneira (Isaías 77'), Paulo Futre e Rui Águas.
Treinador: Toni

Boavista: Lemajic (GR), Paulo Sousa (Ricky 46'), Garrido, Caetano (Bertollazzi 70'), Nogueira, Bobó, Tavares, Rui Casaca (C), Rui Bento, Marlon Brandão e Artur.
Treinador: Manuel José

Resultado final: Benfica 5-2 Boavista (Vítor Paneira 32', João Vieira Pinto 35', Paulo Futre 48' e 70' e Rui Águas 88'; Marlon Brandão 44' e Tavares 57')

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