Visto da Bancada
Álvaro Faria (N.º 299)
Diogo Cardoso Oliveira
2018-09-17 15:50:00
O "docinho" oferecido a Acosta e o dia em que Messi, em Alvalade, deu cabo de quatro ou cinco leões. 

Álvaro Faria é um conhecido ator português e contou-nos quais são as suas memórias vistas da bancada. Para além da representação, já se aventurou pela encenação e pela escrita. A talhe de foice, confidencia-nos que o mais recente romance, "O Sobrevivente", tem umas coisinhas de futebol, com passagens sobre um jogo entre solteiros e casados. 

Na edição 299 do "Visto da Bancada", ainda assim, não temos solteiros nem casados. Temos a asneira de Secretário, que ofereceu um "docinho" a Acosta, uma maravilha de Tiuí e, acima de tudo isto, o dia em que Messi, em Alvalade, deu cabo de quatro ou cinco leões. 

"Embora não seja frequentador regular dos estádios, já assisti a algumas dezenas de jogos de futebol in loco, a maioria dos quais com um amigo de longa data, que não hesita em fazer de automóvel a viagem do Porto a Lisboa e volta, só para ver o nosso Sporting em ação.

No meio de milhares de adeptos, sinto o jogo como uma verdadeira festa, cheia de cânticos e gritos de incentivo. Enfim, às vezes, a festa transforma-se em desilusão. Mas o futebol é para me dar alegrias, não tristezas. Por isso, não fico muito tempo a ruminar desaires.

É claro que recordo muitos episódios empolgantes, como o do «passe» do Secretário para o Acosta que se revelou decisivo para quebrar o jejum de dezoito anos, os dois golos do improvável Tiuí que valeram uma Taça de Portugal ou a defesa do Patrício com a ponta da luva, no último sopro dos descontos, que permitiu eliminar o Manchester City (esta vi na televisão, não na bancada; mas foi um momento tão intenso, que o tempo parou e o espaço se expandiu, de modo que foi como se eu estivesse mesmo lá).

Porém, o acontecimento que escolhi relatar foi de um género diferente. Novembro de 2008. Desta feita, estava na companhia de outro amigo de há muitos anos. O Sporting recebia o todo-poderoso Barcelona. A dada altura, Messi, ainda longe da baliza, foi rodeado por quatro ou cinco adversários. Sem que se percebesse bem como, conseguiu furar o cerco e passar a bola a um companheiro. Perante tal demonstração de magia, o público esqueceu a cor das camisolas e aplaudiu; ovação que voltou a ouvir-se, quando o argentino foi substituído.

O resultado foi para esquecer. Mas essa demonstração de desportivismo da bancada, rendendo tributo ao génio, para guardar na memória".

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