Grande Futebol
Um senhor meio campo, um senhor pé esquerdo e um senhor guarda-redes
2018-07-28 20:25:00
Benfica empata um golo diante da Juventus (derrota de 4-2 nos penáltis) em exibição que deixou boas indicações

Um senhor meio campo esteve na origem da segura exibição que o Benfica efetuou no empate a uma bola diante da Juventus (derrota de 4-2 na marcação de penaltis) relativo à International Champions Cup. Um seguro meio-campo e um senhor guarda-redes. Vlachodimos, com um punhado de três defesas no início da segunda parte, e mais outra, já no derradeiro minuto, acabou por revelar-se determinante num jogo em que a magia do pé esquerdo de Grimaldo resultou no golo da equipa portuguesa, mediante um livre magistral, apontado de forma superior.

O Benfica apresentou cinco alterações relativamente à equipa que empatou com o Borussia de Dortmund a dois golos (vitória de 4-3 nos penáltis). Na baliza, Vlachodimos substituiu Svilar, enquanto que na defesa Rúben Dias cedeu o lugar a Conti. O meio campo permaneceu intocável com a consistente aposta na tripla formada por Fejsa, Gedson e Pizzi, enquanto a frente de ataque surgiu completamente remodelada com a titularidade de Salvio, Cervi e Ferreyra, que relegou Castillo e Jonas para o banco de suplentes, mas foi infeliz e acabou por sair aos 35 minutos fruto de um choque de cabeça com Jardel. O internacional chileno reassumiu, então, a posição que tem sido sua neste início de pré-temporada, acabando por ceder o lugar a Jonas já na ponta final do desafio.

Foi muito graças a ação de um meio campo trabalhador e muito criterioso no momento de passar a bola que a equipa portuguesa conseguiu colocar a Juventus, com João Cancelo mas ainda sem Cristiano Ronaldo, Mandzukic, Dybala, Cuadrado, Douglas Costa e Matuidi, em sentido durante grande parte do primeiro tempo. Basta dizer que à passagem da meia hora de jogo, o conjunto liderado por Rui Vitória tinha uma percentagem de bola tremendamente superior ao adversário (63 contra 37 por cento) e só por uma vez a Juve esteve perto de marcar quanso Marchisio cabeceou livre de marcação logo aos 10 minutos.

Fejsa foi o recuperador de excelência jogando de forma mais posicional, mais fixa, conferindo maior liberdade a Gedson, que desfrutou da melhor oportunidade do Benfica quando aos 23 minutos rematou ao lado do poste esquerdo da baliza defendida por Sczesny, e Pizzi. Em situação de ataque o triângulo do meio-campo funciou em 1x2, invertendo-se em posicionamento defensivo, transformando-se, assim, num 2x1 com Gedson a fazer parceria com Fejsa.

É aqui que reside, para já, a força do Benfica 2018/19. Rui Vitória não tem prescindido do 4x3x3 e o rendimento deste trio muito contribui para o equilíbrio desta estrutura, que fica reforçada com o recuo de Salvio e de Cervi nas alas em situação defensiva. Mas será esta a opção mais indicada para a grande maioria dos jogos do campeonato?

Neste sistema, a equipa perde algum poder de fogo. O treinador dos encarnados já pensa certamente na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Fenerbahçe, mas na Liga, será certamente aconselhável em muitas circunstâncias recorrer a uma dupla de ataque, tendo até em linha de conta a qualidade dos pontas de lança de que dispõe.

O sector intermediário deu excelente conta de si, mesmo quando a Juventus assumiu o comando do jogo face à desvantagem no marcador. As muitas substituições acabaram como habitualmente sucede na pré-temporada por descaraterizar um jogo, ainda assim, bem disputado na maior parte do tempo.

 

Benfica-Juventus, 1-1 (2-4 nos penáltis)  Grimaldo (65’), Clemenza (84').

Benfica: Vlachodimos; André Almeida (Ebuehi, 68'), Conti, Jardel (Rúben Dias, 46') e Grimaldo (Yuri Ribeiro, 67'); Fejsa (Keaton Parks, 70'), Gedson (Samaris, 82') e Pizzi (Alfa Semedo, 46'); Salvio (Rafa, 69'), Cervi (João Félix, 70') e Ferreyra (Castillo, 40' [Jonas, 68']).

Penáltis: Keaton Parks (1-0), Fagioli (1-1), Jonas (ao poste), Emre Can (1-2), Samaris (2-2), Beltrame (2-3), João Félix (defesa de Perin), Alex Sandro (2-4).