Grande Futebol
Os golos certos à hora certa mas não foi obra do acaso
2018-11-06 22:35:00
O FC Porto esteve muito forte nas transições ofensivas que estiveram na base de uma vitória sem contestação

O FC Porto goleou o Lokomotiv Moscovo por 4-1 e está a um ponto do apuramento para os oitavos de final mas quem não viu o jogo poderá pensar que tudo foi fácil para a equipa de Sérgio Conceição numa noite fria, de chuva e muito vento no Dragão. Nada disso. O FC Porto acabou por ter a arte de marcar os golos à hora certa, nos momentos cruciais da partida, logo aos dois minutos e a acabar a primeira parte, e a meio do segundo tempo numa altura em que o Lokomotiv depois de já reduzido para 2-1 ameaçava o empate. O quarto golo, uma obra primeira de Otávio a fechar a partida foi apenas a cereja no topo do bolo de uma exibição em que o FC Porto mostrou ser muito forte nas transições ofensivas, apesar de ter revelado alguma desorganização nas transições defensivas. Foi um FC Porto feliz e seguro a atacar, inseguro e nervoso a defender.

O FC Porto não podia pedir um início de jogo mais positivo do que aquele que teve. Herrera, que regressou ao onze dos portistas, e que recebeu uma injeção de moral de Sérgio Conceição na antevisão à partida, inaugurou o marcador a passe de Marega. Durante a primeira parte, o FC Porto teve muito mais posse de bola, atacou muito, alimentado pelos passes longos e verticais de Óliver Torres - o espanhol está em grande forma: jogou, fez jogar, levou o FC Porto para patamares do jogo sempre superiores -, mas desequilibrou-se em transição defensiva permitindo que o Lokomotiv aqui e acolá ameaçasse a baliza de Casillas. O lado esquerdo defensivo do FC Porto não estava a ser bem protegido e por duas vezes, cruzamentos do Lokomotiv na zona de Alex Telles, criaram perigo junto da área de Casillas. A fechar a primeira parte, o FC Porto numa transição forte chega ao segundo golo, na altura certa dada a sensação de fragilidade que a defesa portista denotava. O Lokomotiv estava a crescer nos últimos minutos e a aproveitar a limitação física de Alex Telles. O golo de Marega, a passe de Herrera, surgiu mesmo na melhor altura para os dragões que foram para o intervalo com uma vantagem boa. Melhor o resultado para o FC Porto do que a exibição. Os dragões souberam aproveitar as oportunidades que tiveram, mas estavam a cometer erros na transição defensiva e o Lokomotiv criou alguns lances de perigo. Valeram os golos de Herrera e Marega, com Óliver a encantar.

Na segunda parte, o Lokomotiv melhorou com as entradas de Farfán e Smolov e nos primeiros minutos encostou o FC Porto que vestia a pele de uma equipa de contra-ataque. Mais objetiva e vertical, a equipa russa reduziu aos 59, na sequência de uma bola parada, Farfán fez o golo que colocou em sentido a equipa de Sérgio Conceição. Com um pouco mais de meia hora para jogar no Dragão, o jogo parecia relançado e a verdade é que o FC Porto passou por aquela que foi a fase menos boa na partida, com dificuldades na fase de construção.

Mas, mais uma vez, na hora certa, numa altura complicada, o FC Porto voltou a sorrir com o terceiro golo dos portistas a surgir oito minutos depois do tento russo. Um golo apontado por Corona mas que teve a assinatura de Óliver Torres que tocou com classe para o mexicano finalizar com mestria. Com dois golos de vantagem, o FC Porto, mais tranquilo, passou a gerir melhor a posse de bola perante um adversário que acusou em demasia o tento de Corona. O jogo estava fechado, mas Otávio, que voltou a saltar do banco, fechou o pano com um golaço. O FC Porto fechou a partida com chave de ouro e garantiu, pelo menos, com esta triunfo que não oferece dúvidas, a continuidade nas competições europeias, seja na Liga dos Campeões ou na Liga Europa. Mas já "cheira" a 'oitavos' da Champions.