Grande Futebol
Matías Fernández: um talento muito superior à carreira
2018-09-24 11:00:00
Aos 32 anos, o médio chileno atravessa um bom momento no México

O mais recente golo de Matías Fernández, um remate fantástico do meio da rua na derrota do seu Necaxa em casa do Deportivo Toluca, serviu para nos lembrarmos da qualidade de um jogador chileno - mas nascido na Argentina - que era considerado uma das maiores promessas do futebol internacional em 2006. Desde então, mostrou o seu talento em todos os clubes por onde passou mas nunca atingiu o sucesso esperado, deixando a sensação de que passou ao lado de uma carreira ao nível dos melhores do planeta.

Formou-se no Colo-Colo e estreou-se pela equipa principal com apenas 18 anos em 2004. Demorou muito pouco tempo a ganhar um lugar na equipa principal da formação chilena e em 2006 já era a principal figura da equipa que chegou à final da Copa Sudamericana nesse ano. 2006 foi também o ano em que Matías venceu o prémio Rey del Fútbol de América, galardão que distigue o melhor futebolista a atuar na América do Sul e que já foi conquistado por craques como Pelé ou Maradona.

Chegou à Europa para reforçar o Villarreal CF no mercado de inverno de 2006/07. Com o compatriota Manuel Pellegrini a treinador dos espanhóis, ganhou um lugar no onze inicial nos primeiros jogos que realizou, mas foi suplente utilizado nos últimos seis. Na temporada seguinte não conseguiu ser titular indiscutível e apenas mereceu essa confiança em 17 dos 39 jogos que realizou. Esteve mais um ano no Villarreal CF, mas foi ainda menos vezes titular (apenas nove em 30 jogos) e nunca mostrou aquilo que fez os responsáveis do 'submarino amarillo' avançarem para a sua contratação. Apesar da cláusula de rescisão de 50 milhões de euros, Matías Fernández mudou-se para o Sporting com 23 anos por apenas cerca de três milhões de euros. Estávamos em 2009.

Nos leões, contudo, o cenário parecia estar a mudar. Pegou de estaca logo no início da temporada e foi uma das principais figuras da equipa na primeira metade da época, mas a saída de Paulo Bento do comando técnico fez com que Matías Fernández fosse remetido para o banco de suplentes, sendo utilizado com alguma regularidade nas segundas partes. Seguiu-se 2010/11, a pior época de leão ao peito. As lesões não ajudaram, principalmente nos primeiros meses, mas o chileno conseguiu acabar da melhor forma, o que se viu em 2011/12. Matías Fernández foi essencial na caminhada que a formação de Ricardo Sá Pinto fez na Liga Europa, onde chegou às meias-finais. O livre direto convertido com sucesso contra o Manchester City em Inglaterra foi um dos golos mais memoráveis da carreira do jogador e ajudou à passagem à eliminatória seguinte.

Matías Fernández a festejar um golo ao serviço do Sporting (António Cotrim/Lusa)

De forma algo surpreendente, Matías foi vendido à Fiorentina por um valor semelhante àquele que o Sporting havia investido na sua contratação três anos antes. Nos transalpinos, ainda assim, Matías voltou a ser atacado pelas lesões, mas isso não o impediu de ganhar um estatuto importante em Florença. Em 2014/15, por exemplo, realizou 41 jogos e voltou a ser essencial numa caminhada até às meias-finais da Liga Europa, ainda que sem golos. Foi emprestado ao Milan em 2016/17, mas jogou muito pouco e decidiu abandonar a Europa em 2017/18.

Agora, ao serviço do Necaxa, leva três golos nos oito jogos que já disputou no atual campeonato. E todos os três golos foram apontados de fora da área, uma das maiores especialidades de Matías Fernández, um dos últimos número 10 do futebol moderno.

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