Grande Futebol
Jardim admite que gosta da “dificuldade” de perder e substituir jogadores
Redação Bancada
2017-09-13 10:55:00
Técnico revela que gosta de encontrar soluções internas e enfrentar novos desafios, de forma a também ele crescer

O trabalho de Leonardo Jardim à frente do AS Mónaco não tem passado despercebido à imprensa francesa. Além do campeonato conquistado no ano passado, o técnico português tem lançado vários jogadores para a ribalta e também para a seleção gaulesa. Muitos deles têm rendido milhões ao clube monegasco e também o obrigam a estar constantemente a reformular a equipa. Mas Jardim gosta desse desafio. Foi isso que admitiu o madeirense em entrevista publicada esta quarta-feira pela revista francesa “France Football”.

“Gostaria e manter os melhores jogadores, mas, quando eles saem, sinto que tenho capacidade para fazer algo diferente, para lançar novos jogadores e ter novos desafios. Manter a mesma equipa durante três anos, ficar tranquilo e manter o mesmo nível é bom, mas… Esta é uma situação muito boa para o meu crescimento como treinador, para o meu treino, para me ajudar a encontrar novas soluções. Gosto desta dificuldade”, confessou Jardim.

O timoneiro do AS Mónaco garante que não se revê no “modelo tradicional de treinador” e que prefere vestir fato de treino nos jogos do que “estar apertado” com um fato e gravata. “Se estiver mais confortável vou tomar melhores decisões e mexer-me melhor”, explicou, antes de revelar os dois técnicos que tem como referência: “Gosto dos treinadores que têm um modelo de jogo e uma metodologia clara. Em Portugal, Mourinho é o nosso modelo. Alex Ferguson também é um treinador de topo”.

Também Mbappé, que deixou o AS Mónaco para rumar ao rival Paris Saint-Germain, envolto em alguma polémica, mereceu palavras do técnico português, que elogiou o ex-pupilo. “Mbappé progrediu imenso. Fui feliz por tê-lo tido aqui desde os 16 anos a treinar com os profissionais. Trabalhámos muito para fazê-lo explodir. Mas o grande mérito é do jogador. Dividimos a responsabilidade. O sucesso de um jogador depende do clube, das oportunidades que tem, do treinador, mas muito dele próprio. Se os jogadores pensam que vão ter sucesso só por eu estar aqui, estão enganados”, assegurou Jardim.

Por fim, o treinador português defendeu ainda os colegas de profissão, realçando a injustiça da vida de treinador. “Não se olha para o trabalho dos treinadores, apenas para o campeão. Isso deixa-me inconfortável. Gostava que as pessoas vissem qualidade no trabalho dos outros treinadores. Não devemos apenas olhar para os resultados. Fui isso que disse sobre o treinador do Angers SCO [Stéphane Moulin]. Ele é bom, mas não o reconhecemos o suficiente. O que fica em primeiro não faz, necessariamente, um trabalho melhor que o segundo e o terceiro”, rematou.

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