Grande Futebol
"Guerra fria" de Oblak derruba o selecionador da Eslovénia
2018-10-17 18:00:00
Tomaz Kavcic não poupa o guarda-redes do Atlético de Madrid e acusa-o de "mentiroso"

A "guerra fria" de Oblak derrubou esta quarta-feira o selecionador da Eslovénia, Tomaz Kavcic, que não poupou o guarda-redes do Atlético Madrid, acusando-o, entre outras coisas, de "mentiroso". "Gosto de falar com as pessoas cara a cara e o Jan não fala para mim. O Oblak é a minha maior derrota pessoal. Conheço-o desde os 16 anos e ele mentiu-me", afirmou, sem papas na língua, o treinador que acabou despedido.

O antigo guardião do Benfica anunciou que se ia afastar da seleção durante seis meses para poder recuperar de problemas físicos, uma decisão que não agradou ao técnico esloveno, apesar de Radenko Mijatovic, presidente da Federação Eslovena de Futebol, ter acordado com Oblak o afastamento temporário. Esta situação azedou a relação entre as três partes e foi neste contexto que a Federação da Eslovénia anunciou o despedimento de Tomaz Kavcic horas depois de o selecionador ter criticado Jan Oblak publicamente.

"Não fala comigo, está sendo enganado e isto é tudo muito triste", refere Kavcic, sublinhando: "Ele diz mentiras desde Madrid sem falar comigo e eu nunca havia dito nada até agora."

A polémica com Oblak inserida nos maus resultados da Eslovénia conduziram a este desfecho. Ainda esta terça-feira a equipa pertencente à antiga Jugoslávia não foi além de um empate caseiro diante de Chipre num jogo polémico marcado por três expulsões, duas para os cipriotas e uma para os eslovenos. Papoulis colocou os forasteiros a vencer e só a sete minutos do final é que Skubic conseguiu evitar a derrota. Este resultado remeteu a Eslovénia para o último lugar do Grupo 3 da Liga C da Liga das Nações, com apenas um ponto, a três do Chipre e a oito da Bulgária e da Noruega, que lidera o grupo.

Tomaz Kavcic não é propriamente um novato nas seleções nacionais da Eslovénia. Tem, aliás, um longo percurso de oito anos ao serviço da seleção de sub-21 (entre 2008 e 2014), após o que se tornou treinador adjunto de Katanec, que acabou por substituir no ano passado. Vê agora terminado o seu reinado no comando técnico da equipa do leste europeu envolto em polémica.

O caso ganhou naturalmente maior proporção em Espanha tendo em conta a dimensão que Oblak soube conquistar no país vizinho, onde está há cinco temporadas ao serviço do Atlético de Madrid, tendo-se afirmado de forma indiscutível na formação liderada por Diego Simeone com uma média de 50 jogos nas últimas três temporadas. Foi finalista vencido da Liga dos Campeões por duas ocasiões e conquistou a Liga Europa na última época, depois de ter deixado o Sporting pelo caminho nos quartos de final.