Grande Futebol
Futebol em 2018: a queda do 4-2-3-1 e o ressurgimento do 4-4-2
2018-12-26 11:45:00
Em 2018 é cada vez menos lógico falar-se em sistemas táticos, mas há tendências interessantes a destacar.

Perante um futebol cada vez mais dinâmico, e cada vez mais próximo de uma reaproximação ao futebol total holandês criado e desenvolvido por Jack Reynolds e Rinus Michels, é cada vez menos lógico falar-se em formações táticas. Por esta altura, na elite do futebol, são raras as equipas que se limitam a estar estáticas em campo numa disposição rígida. Atacando e defendendo sempre debaixo da mesma formação e disposição tática. Frente ao Rio Ave, por exemplo, no caso do Sporting, se a equipa de Marcel Keizer atacou em 4-3-3, foi em 4-4-2 que foi fechando espaços à equipa vilacondense acabando por eliminar o conjunto de José Gomes da Taça de Portugal com uns esclarecedores 5 a 2.

Hoje em dia, é frequente ver-se uma equipa surgir em momentos ofensivo e defensivo debaixo de diferentes formações e desenhos táticos e, mesmo dentro destes dois principais momentos do jogo, nem sempre é linear que uma equipa se mantenha estática e rígida ao longo do mesmo encontro. As equipas de Guardiola que o digam, por exemplo. Descompliquemos, porém. Se olharmos simplesmente ao desenho e aquilo que surge no papel quando os alinhamentos iniciais são conhecidos e as equipas se perfilam em campo para iniciar o jogo, naquele momento imediato anterior ao apito inicial do árbitro, tem-se notado nos últimos anos o ressurgimento de um velho amigo: depois de anos de domínio do 4-2-3-1, o 4-4-2 é cada vez mais popular.


Se em 2014/15, o 4-2-3-1 era a formação tática mais popular nas grandes ligas europeias - e em Espanha perto da totalidade das equipas presentes na La Liga jogavam em 4-2-3-1 -, sendo que só em Itália, nessa temporada, o 4-2-3-1 não foi a formação mais popular nessa temporada mas sim a quarta, desde então tal formação tática registou um declínio tão acentuado que, hoje, deixou de ser a formação tática mais utilizada em Espanha e em nenhuma das quatro grandes ligas europeias, Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha, o 4-2-3-1 é a formação tática mais popular na competição.

Em 2018/19, tanto na Bundesliga, como na La Liga, como na Premier League, o 4-4-2 surge como a formação tática mais popular entre as equipas da competição. Dando, lá está, a ressalva para o facto de em muitos desses casos a questão ser puramente teórica e nada rígida, com as dinâmicas da equipa e a transformação tática a serem cada vez mais relevantes em detrimento da formação em si. Exceção ao ressurgimento do velho amigo e da mais clássica das formações táticas da história do futebol é mesmo a Liga Italiana. Em 2018/19, o 4-4-2 é somente a terceira formação mais popular logo atrás do 4-3-3 e do 3-5-2 que tem feito um reaparecimento repentino nos últimos anos.



Por Itália, em 2018/19, as formações táticas compostas por três defesas centrais são hoje as mais populares no país. Uma verdadeira aparição do nada, já que ainda em 2016/17, o 3-5-2 era somente a quinta formação tática mais popular na Serie A, logo após o 4-3-3, o 4-4-2, o 3-4-3 e o 4-2-3-1. Se na temporada passada o 3-5-2 já se tinha tornado na segunda formação mais popular na competição, esta época é mesmo a formação mais utilizada no plano teórico pelas equipas italianas e praticamente 40% das equipas da Serie A jogam neste momento em 3-5-2.


Já por cá, fora as dinâmicas que oferecem identidades e personalidades táticas próprias da cada uma das equipas, as formações táticas presentes na Liga Portuguesa variam entre o 4-4-2, o 4-3-3 e o 4-2-3-1. Mesmo em declínio abrupto nas principais ligas europeias, o 4-2-3-1 ainda é o sistema tático preferido das equipas portuguesas, com sete das dezoito equipas da Liga a surgirem em campo na grande parte dos jogos em 4-2-3-1. Já seis das dezoito entram geralmente em campo escalonadas em 4-3-3, enquanto o 4-4-2, apesar de popular, não acompanha ainda a tendência europeia de formação mais popular entre as equipas das principais ligas europeias.


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