Grande Futebol
Football Manager 2018: Um novo veículo para o combate à homofobia no futebol
João Pedro Cordeiro
2017-11-13 20:10:00
Na edição de 2018 da saga de simulação futebolística jogadores criados pelo jogo podem assumir a homossexualidade.

Depois de, na edição de 2017, a saga Football Manager ter introduzido o Brexit como um dos cenários que mais influenciavam a estratégia de jogo do jogador, este ano, a produtora do jogo resolveu atacar questões sociais e associar-se à luta pela igualdade e combater a discriminação da comunidade gay, bem como a homofobia no futebol. Na edição 2018 do jogo Football Manager, lançado no passado dia 10 de novembro, é agora possível que jogadores gerados pelo jogo se assumam como gay. Um acrescento que apesar de não influenciar em algo a experiência de jogo, permite pelo menos consciencializar para a questão, como procura normalizar a mesma num meio que, ainda hoje, parece ser excessivamente discriminatório. Até hoje, apenas um ex futebolista da Premier League, por exemplo, assumiu a homossexualidade e tal aconteceu vários anos após o término da carreira.  

Pela primeira vez na história da saga Football Manager, jogadores gerados pelo sistema/motor de jogo poderão, no futuro, assumir-se como gay. A decisão não influencia a forma de jogar dos mesmos ou qualquer questão relacionada com a mecânica de jogo. É, acima de tudo, segundo a produtora da saga, uma medida que procura promover a igualdade e combater a discriminação num meio que é, ainda hoje, bastante fechado à homossexualidade. À imprensa britânica, Miles Jacobson, criador da saga Championship Manager / Football Manager, assegurou que a medida tem o propósito único de banalizar, positivamente, a questão da homossexualidade no futebol. 

"Parte da razão porque fizemos isto é porque existem futebolistas gay. Para mim é estranho que a homossexualidade ainda seja um problema no futebol, portanto decidimos tentar mostrar que alguém assumir-se como gay não é algo do outro Mundo e pode ser algo positivo. É inacreditável que em 2017 ainda vivamos num Mundo em que as pessoas não possam ser elas próprias" destacou Miles Jacobson. O criador de uma das mais bem-sucedidas sagas de videojogos, o simulador futebolístico Championship Manager / Football Manager, acrescentou ainda que espera que o jogo possibilite que um dia qualquer pessoa ligada ao futebol se possa sentir 100% confortável consigo mesma. "A homossexualidade é algo perfeitamente natural na vida e colocar ou simular a questão no jogo é o caminho e a decisão mais correta. É algo que vamos cada vez mais nos próximos anos. Mal posso esperar pelo dia em que qualquer pessoa que trabalhe no futebol se possa sentir 100% confortável consigo mesma, seja por questões de sexualidade, religiosas ou étnicas". Ainda assim, o criador da saga garantiu que tal não irá acontecer com grande frequência durante o jogo, nem em países onde a homossexualidade é ainda proibida. 

A luta contra a homofobia tem sido, nos últimos anos, uma das bandeiras de vários clubes e organizações futebolísticas espalhadas pelo Mundo fora, ainda assim, para a antiga estrela do rugby galês, Gareth Thomas, que assumiu a homossexualidade em 2009, o futebol é um desporto que está ainda muito longe de ser tolerante perante a questão. A verdade, é que nenhum jogador nas grandes ligas do futebol mundial se assumiu como gay até hoje, com a única situação próxima disso a suceder-se com Robbie Rogers ou Thomas Hitzlsperger, ambos, já depois de terem anunciado o final da carreira enquanto futebolistas. Situação que não é desconhecida à realidade portuguesa, cujas organizações do futebol em Portugal continuam a não ter, ou ver, como prioritária. 

O Football Manager é, assim, mais um veículo ligado ao futebol que procura promover o combate à discriminação sexual. Uma problemática cada vez mais presente no desporto, sendo cada vez mais os clubes e associações que se associam na promoção da igualdade sexual. Clubes como o Rayo Vallecano, por exemplo, há vários anos que faz da luta pela igualdade parte integrante da sua identidade, e já esta semana a Premier League anunciou ter-se associado à Stonewall, principal associação britânica de defesa dos direitos LGBT de forma a encontrar formas de combater a discriminação e a homofobia no futebol. "A Premier League é uma liga de todos e para todos e os nossos clubes estão comprometidos com a igualdade e diversidade a todos os níveis e consideramos a comunidade LGBT parte integrante da nossa comunidade" anunciou Richard Scudamore, presidente da principal competição de clubes inglesa. Uma decisão que chega meses depois do presidente da federação inglesa, Grag Dyke, ter afirmado não encorajar qualquer jogador a assumir-se como gay por estar preocupado com a receção que esperaria em seguida tal jogador, fosse nos estádios, fosse nas redes sociais.  

O Bancada procurou uma reação da Ilga, da Dezanove.pt ou da Opus Gay mas à data de publicação do artigo não foi possível obter uma resposta em tempo útil.

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