Grande Futebol
FH Hafnarfjordur: altos, loiros mas um bocadinho menos toscos
2017-08-04 17:00:00
Jonathan Hendrickx, defesa belga que veio precisamente dos islandeses para o Leixões, analisa os principais perigos

As contratações do possante médio sueco Stromberg e do não menos possante ponta-de-lança dinamarquês Michael Manniche pelo Benfica na década de 80 tornaram célebre a expressão "altos, louros e toscos " em Portugal. Os jogadores em causa provaram, todavia, na Luz que eram opções extremamente válidas, até acima da média, e com o passar dos anos o conceito de tosco, aplicado ao aspeto ténico dos nórdicos, foi ganhando novos contornos.

Pois é. Os islandeses do FH Hafnarfjordur, que saíram em sorte ao SC Braga no sorteio desta sexta-feira relativo ao "play-off" de acesso à Liga Europa, são um pouco assim: altos, loiros, mas já um bocadinho menos toscos do que a ideia inicialmente instituída relativamente aos jogadores nórdicos. A evolução do futebol islandês teve, aliás, expressão no recente Campeonato da Europa de futebol conquistado por Portugal. A Islândia deixou boa imagem, começou mesmo por empatar no primeiro jogo do Europeu a um golo com a Seleção Nacional e só saiu de prova nos quartos-de-final da competição aos pés da equipa da casa, a França, no Stade de France, em Saint-Denis, nos quartos-de final, isto já depois de ter eliminado a Inglaterra e ter tornado célebre o "Haka", bem ao estilo neo-zelandês.

São, no entanto, muito poucos, quase nenhuns, os internacionais islandeses que jogam no seu país. Basta atentar no caso do próprio HF Hafnarfjordur que, apesar de ser campeão nacional, só teve um jogador na seleção islandesa: o avançado Finnbogason, a principal referência da equipa, da qual fazem parte um francês, dois escoceses, um croata e um maliano, de seu nome, Doumbia, como o marfinense do Sporting.

Esta é a razão pela qual a seleção tem um protagonismo bem diferente dos clubes islandeses, bastante modestos nas competições europeias, mas com notória evolução a nível técnico. O adversário do SC Braga chega à Liga Europa, depois de já ter sido relegado da Liga dos Campeões, onde perdeu os dois jogos da pré-eliminatória com o experiente Maribor, pela margem mínima.

"Atingir o nível da seleção é algo que, para já, não é possível nos clubes, cuja competição interna decorre entre abril e outubro, o que acentua o 'handicap' financeiro que afasta os melhores jogadores do campeonato, emigrando para a Bélgica, Holanda ou Inglaterra", explica Jonathan Hendrickx, defesa belga contratado pelo Leixões neste defeso, precisamente ao FH Hafnarfjordur. 

O espírito inerente ao "Haka" pode ser o principal obstáculo a ter em conta, segundo referiu o reforço leixonense, em declarações à Lusa. "O que pode ser mais problemático para o SC Braga é o facto de o clube se encarar como uma família. Eles lutam muito uns pelos outros", afirma Hendrickx, sublinhando que os jogadores islandeses "não têm nada a perder nesta eliminatória".

Neste contexto, Jonathan Hendrickx avisa que o jogo em casa, por sinal o primeiro da eliminatória "vai ser muito importante para eles." O facto de poderem pela primeira vez apurar-se para fase de grupos de uma prova europeia e de isso trazer dinheiro para o clube são aspetos determinantes. De resto, a receção aos bracarenses, marcada para dia 17, pode vir a ser disputada no Estádio Nacional, em Reiquejavique, a capital islandesa, situada a apenas 10 quilómetros de Hafnarfjordur. E por uma razão muito simples: o jogo deve cativar mais adeptos do que pode albergar o estádio Kaplakriki, que tem capacidade para somente 6.450 espectadores. "É o tipo de jogo que gera muitas atenções e há muito adeptos de futebol na Islândia, pelo que estou convencido que será disputado na capital", frisa o defensor belga, referindo-se ao estádio Laugardalsvöllur, com capacidade para 15 mil pessoas. "É o jogo do ano para o clube islandês. Vai haver um grande ambiente em Reiquejavique, num estádio cheio", acrescenta.

Hendrickx, que disputou oito jogos de apuramento europeu ao serviço do FH, dirigido há 10 temporadas consecutivas por Heimir Gudjonsson, de 48 anos, alerta para a importância de o SC Braga não perder fora de portas no desafio da primeira mão. "Se vencerem a primeira mão causarão um grande problema ao SC Braga, que deverá jogar no máximo da sua concentração e dar tudo em campo".

SC Braga já está avisado

Depois do enorme susto que apanhou com o AIK Estocolmo, a equipa portuguesa parece estar ciente deste cenário encarando com cautela a eliminatória, a avaliar pelas palavras de Alan. "Vamos encontrar novamente um adversário numa fase adiantada da sua temporada, que tem sido o clube dominador no futebol islandês, ganhando três dos últimos cinco campeonatos, e que já tem muitos jogos europeus acumulados ao longo das últimas épocas", advertiu o antigo capitão e agora diretor de relações institucionais, depois de ter terminada a carreira no final da última época.

A crescente qualidade do futebol islandês não é surpresa, pelo que o SC Braga afirma-se preparado para enfrentar um adversário combativo e competitivo. "A este nível todas as equipas têm grande competência e as pré-eliminatórias da Liga Europa têm confirmado isso com o afastamento de vários clubes de nomeada. "O FH tem uma base sólida no seu plantel, feita com jogadores que têm muitos anos no clube."

Esta não será, aliás, a primeira vez que o FH Hafnarfjordur, nesta altura o quarto classificado do campeonato a 10 pontos do líder Valur, com 13 jornadas decorridas, defronta uma equipa portuguesa. Em julho de 2011, a equipa nórdica jogou diante do Nacional da Madeira, orientado por Ivo Vieira e onde pontificavam jogadores como Danielson, Diego Barcellos e Andrés Madrid. A primeira mão, na Islândia terminou igualada a um golo, tendo a equipa madeirense vencido o segundo jogo por 2-0, eliminando, desta forma, os islandeses.

 

 

ONZE BASE DO HAFNARDFJORDUR PARA 2017/18

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