Como jogador, o senegalês El Hadji Diouf foi notícia mais vezes por maus motivos do que por conquistas e feitos futebolísticos. Aos 37 anos, o internacional pelo país da costa Oeste africana quer seguir os passos de George Weah, ex-craque que é, agora, presidente da Libéria.
O problema é que Diouf nunca foi um exemplo a seguir, como, idealmente, deveria ser um presidente do Senegal. Ou de qualquer outro país.
"Eu sou o Sr. El Hadji Diouf, o Sr. Senegal. Ele é apenas o Sr. Liverpool"
El Hadji Diouf surgiu na ribalta em 2002, quando o Senegal fez a histórica campanha no Mundial da Coreia e do Japão.

Já era um bom jogador, no Lens, mas subiu um pouco mais, assinando pelo Liverpool. Foi considerado duas vezes o jogador africano do ano, mas 12 temporadas no futebol britânico não foram suficientes para Diouf, avançado, alguma vez ter conseguido superar os dez golos numa temporada. Aliás, apenas uma vez superou os sete.
Como se não bastasse o parco desempenho futebolístico, Diouf nunca enjeitou a possibilidade de estar envolvido numa boa polémica.
- Acusado de conduzir sem carta
- Acusado de agressão
- Preso por desacatos num bar, que deixaram um homem seriamente magoado
- Suspenso, mais do que uma vez, por confrontos com adversários
- Suspenso, mais do que uma vez, por cuspir em adversários e adeptos
- Investigado por, alegadamente, ter dirigido insultos racistas a um apanha-bolas
Pelo que se sabe, a lista fica por aqui. Um extenso rol de polémicas e manchetes de jornais, todo por conta de Diouf.
O senegalês chegou a trocar "mimos" com Steven Gerrard, ex-companheiro de equipa, que chegou a acusar de racismo. "Ele é racista e nem olhava para a minha cara. As pessoas gostam dele, mas ele nunca fez nada pelo país dele. Eu sou o Sr. El Hadji Diouf, o Sr. Senegal. Ele é apenas o Sr. Liverpool e o Senegal é maior do que Liverpool. Ele tem de saber isto", disse Diouf, à imprensa inglesa, em 2012.

Ser igual a Weah, com a diferença de não ter nada a ver
"Tomei a decisão de entrar na carreira política porque as pessoas esperam que eu mude coisas no meu país. Estou preparado para isso, porque quero ser um soldado da juventude e sei que muitos senegaleses estão dispostos a ouvir-me", explicou Diouf.
Em Dakar, Diouf terá de fazer com os eleitores senegaleses aquilo que nunca conseguiu com os adeptos ingleses: convecê-los de que é uma mais-valia e de que a loucura é apenas... um pequeno pormenor.