Grande Futebol
Dos "Barras Bravas" aos... "Bukaneros". Espanha está em alerta
2018-12-07 20:00:00
River Plate-Boca Juniors está a mexer com tudo e com todos. No bom e no mau sentido

Gabriel Batistuta, Claudio Cannigia, Hugo Gatti, Abel Balbo e Oscar Ruggeri. O que têm em comum estes seis jogadores de top da história do futebol argentino? A resposta é muito simples: todos vestiram as camisolas do River Plate e do Boca Juniors. Incendiaram a rivalidade ao trocar um dos colossos da Argentina pelo outro e, de uma forma ou de outra, sofreram as consequências da temerária opção. Oscar Ruggeri, defesa central internacional pelo país das pampas que chegou a vestir a camisola do Real Madrid, é o testemunho disso mesmo. O jogador contou na primeira pessoa o horror que a sua família viveu. "Joguei nas duas equipas e diverti-me bastante em ambas, mas quando deixei o Boca Juniors para assinar pelo River Plate, incendiaram a minha casa com os meus pais lá dentro", divulgou o jogador aos microfones do programa "El Transistor" da "Onda Cero", lembrando os "Barras Bravas", nome dado aos adeptos mais radicais. "Os 'Barras Bravas' criam medo nos jogadores com ameaças às suas famílias. Quando me fizeram aquilo fui falar com o chefe dos 'Barras Bravas' do Boca, enfrentei-o porque era ele quem controlava tudo e disse-lhe que não ia tolerar mais nada."

Quando chegou a casa de madrugada, Ruggeri, hoje com 56 anos de idade, viu-a totalmente em chamas e bombeiros e polícia à porta. O fogo só não teve consequências mais trágicas porque os vizinhos conseguiram retirar o casal da vivenda ainda antes da chegada dos bombeiros. 

Ora foi precisamente a facção mais radical dos adeptos do River Plate que atacou o autocarro que transportava a comitiva do Boca Juniors no passado dia 24 de novembro, para o estádio Monumental Nuñes tendo em vista o jogo da segunda-mão da final da Taça Libertadores. Um incidente que levou a CONMEBOL a transferir o jogo para o Estadio Santiago Bernabeu, em Madrid.

A segunda-mão da final da Taça Libertadores da América será, assim, disputada no recinto do Real Madrid, pelas 19:30 do próximo domingo e para tentar travar os adeptos mais radicais dos dois clubes, as autoridades argentinas enviaram às autoridades espanholas uma lista com nomes dos "Barras Bravas" das duas equipas, para que estes sejam impedidos de entrar no país vizinho. E foi o que aconteceu com Maxi Mazzaro, um dos cabecilhas das barras do River. A polícia espanhola identificou-o logo no aeroporto de Barajas em Madrid e forçou-o a voltar à Argentina. "A polícia espanhola considerou que o barra brava Maximiliano Mazzaro é perigoso para a segurança e foi expulso; qualquer barra que viaje com antececentes de homicídio será deportado", explicou Guillermo Madero, diretor de Segurança e Espectáculos Futebolísticos, à "Radio La Red".

A final da Libertadores vai ter quatro mil polícias, dos quais 2054 são da polícia nacional, anunciou esta sexta-feira o delegado do governo espanhol em Madrid. José Manuel Rodríguez Uribes informou na última reunião preparatória de segurança para o jogo que "pretende garantir a segurança antes, depois e durante o jogo".

Neste sentido, a "Castellana", uma das principais avenidas no centro de Madrid, estará cortada ao trânsito desde as nove horas da manhã de domingo e será dividida em zonas para os adeptos dos dois clubes. O jornal "El Pais" diz que as autoridades policiais reconhecem que este é o encontro de futebol de maior risco de toda a história da cidade, com um dispositivo de segurança maior do que em dérbis entre Real e Atlético ou em clássicos com o FC Barcelona. A "fan zone" do River Plate será na Praça Cuzco, a do Boca Juniors será montada numa das ruas que vai dar à "Castellana"e terminará na rua Raimundo Fernández Villaverde. Entre as duas "fan zones" haverá uma área de segurança de forma a que não haja contacto entre os adeptos das duas equipas.

Outra preocupação são... os "Bukaneros", adeptos radicais do Rayo Vallecano, equipa de Bebé em La Liga. A polícia de Madrid já começou a seguir os "Bukaneros", que se tornaram amigos dos "Barras Bravas" do River Plate. A Brigada Provincial de Informação, que se dedica a luta contra o terrorismo e contra os grupos antisistema, estão a controlar os movimentos de cerca de 300 "Bukaneros", para impedir que possam entrar em lutas com adeptos do Boca Juniors.

O River Plate e o Boca Juniors disputam este domingo a segunda mão da final da Taça Libertadores, que foi adiada devido ao ataque ao autocarro do Boca Juniors por parte dos adeptos rivais antes do jogo em Buenos Aires. Na primeira mão, disputada no La Bombonera, casa do Boca, registou-se um empate a dois. No passado dia 24 de novembro, data inicial prevista para a segunda mão, o autocarro que transportava a comitiva do Boca Juniors foi atacado à chegada ao estádio Monumental, do River Plate, resultando em ferimentos em alguns jogadores. Os adeptos lançaram pedras e gás pimenta, e os futebolistas Pablo Pérez e Gonzalo Lamardo tiveram que ser assistidos no hospital.

O vencedor da Taça Libertadores qualifica-se para o Campeonato Mundial de Clubes que será realizado nos Emirados Árabes Unidos e a final edição de 2019 será a última a ser disputada em duas mãos, passando ao sistema de jogo único, como acontece na Liga dos Campeões europeus.

Sê o primeiro a comentar: