Grande Futebol
Depois da bonança, a tempestade. Os treinadores portugueses estão em apuros
João Pedro Cordeiro
2018-10-10 22:00:00
Os últimos meses não têm sido especialmente famosos para os treinadores portugueses no estrangeiro.

Não foi há muito tempo que o treinador português era sinal de sucesso desportivo. Não foi há muito tempo que, por exemplo, Fernando Santos, afirmou que o treinador português estava na moda, posição conquistada pelos próprios um pouco por todo o Mundo com o seu próprio sucesso. No final da temporada 2016/17, por exemplo, de entre as grandes ligas europeias, portuguesa incluída, nenhuma outra nacionalidade de treinadores conquistou tantos títulos quanto os portugueses. Temporada em que José Mourinho venceu Liga Europa ou Leonardo Jardim se sagrou campeão francês. Poucos meses depois, porém, a história é bem diferente e o treinador português está hoje em apuros.

Com José Mourinho e Leonardo Jardim sob enorme pressão, perante as saídas já confirmadas de Paulo Sousa e Miguel Cardoso, o hiato interminável de André Villas Boas e um Carlos Carvalhal ainda sem clube depois de ter deixado o comando técnico do Swansea City após despromoção ao Championship e devido a problemas pessoais que o obrigaram a regressar a Portugal, aliado ao início de temporada pouco entusiasmante do Everton de Marco Silva, nas grandes ligas europeias vão salvando a honra do treinador português Nuno Espírito Santo e Paulo Fonseca.

Se o futebol é cíclico e os momentos de sucesso vão e vêm, o atual não é particularmente positivo para os treinadores portugueses um pouco por todo o Mundo. Em França, se a temporada se iniciou com dois treinadores portugueses: Leonardo Jardim no AS Mónaco e Miguel Cardoso no FC Nantes, o mais provável é que a época termine sem qualquer treinador luso na competição. Miguel Cardoso deixou o clube francês ao fim de apenas oito jogos na competição somando apenas uma vitória e três empates durante esse período, deixando o antigo clube de Sérgio Conceição na 19ª posição apenas à frente do lanterna vermelha EA Guingamp. Registo que se sucedeu a uma temporada histórica em Vila do Conde ao comando técnico do Rio Ave.

França não está a ser terreno fértil para os treinadores portugueses nos últimos meses. Leonardo Jardim, por exemplo, segundo a imprensa internacional, está mesmo a acertar os detalhes da sua rescisão com o clube monegasco depois de em 2016/17 o ter liderado a um surpreendente título francês contra todas as expetativas. Mesmo tendo levado o Mónaco ao segundo lugar na temporada passada, o início de época desastroso do Mónaco em 2018/19 deixa Jardim com um pé fora do clube do principado. Por esta altura, o Mónaco é 18º classificado, posição de descida de divisão, superando apenas Nantes e Guingamp depois de apenas uma vitória e três empates em nove jogos já realizados na primeira divisão francesa.

Em Inglaterra a temporada iniciou-se com três treinadores portugueses e também não é certo que termine com os mesmos três. Tudo porque segundo a imprensa britânica José Mourinho está sob forte pressão no comando técnico do Manchester United, e a sua permanência à frente do clube de Old Trafford está a prazo. Oito jogos depois, o United é somente oitavo classificado com quatro vitórias e um empate registados, com o ambiente no clube a ficar mais amenizado após a recuperação impressionante da última jornada perante o Newcastle United, em casa, depois do Manchester United até ter estado a perder por 2-0. Mesmo tendo vencido a Liga Europa e a Taça da Liga pelo United, levando o clube ao segundo lugar na temporada passada, as críticas às exibições da equipa e o início de época tremido da equipa de Old Trafford deixam José Mourinho, por esta altura, sob grande pressão.

Depois de apenas uma vitória nos seis primeiros jogos da Premier League, também Marco Silva já começava a recolher algum sinal de instabilidade um pouco por toda a imprensa inglesa. Duas vitórias nas duas jornadas mais recentes da competição, porém, alteraram um pouco o paradigma do antigo treinador de Estoril e Sporting. O Everton é agora, ao fim de oito jogos, 11º classificado na liga inglesa com três vitórias e três empates, competição em que se vai “salvando” Nuno Espírito Santo com o seu Wolves que depois de ter vencido o Championship na temporada passada está a ser uma das sensações de início de época na Premier League.

Quem não teve a mesma sorte foi Paulo Sousa que ao fim de 35 jogos deixou o comando técnico do Tianjin Quanjian em final de setembro à 24ª jornada da liga chinesa depois de seis jogos consecutivos sem qualquer vitória, cinco deles derrotas. Na verdade, Paulo Sousa venceu apenas um jogo dos últimos 12 que realizou ao comando do clube chinês. Depois de títulos na Hungria, Israel e Suíça e uma passagem interessante por Itália ao serviço da Fiorentina, a aventura chinesa de Paulo Sousa ficou aquém das expetativas. País onde treinou, por último, André Villas Boas que desde 2017 enveredou num hiato que não parece ter fim.

Não foi há muito tempo que nomes como Fernando Santos, Daniel Ramos ou, ao próprio Bancada, Vítor Manuel, elogiavam a capacidade dos treinadores portugueses e os consideravam mesmo uma moda no futebol europeu. Em 2012, nenhum outro país colocou tantos treinadores nas fases finais das duas competições europeias e em 2016/17 nenhuma nação venceu tantos títulos quanto Portugal, sucessos que valeram mesmo atenção mediática no Brasil, por exemplo, com um conhecido canal televisivo brasileiro a fazer uma peça acerca dos treinadores portugueses. O últimos meses, porém, mostram um cenário bem mais complicado. Os treinadores portugueses estão agora em apuros.

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