Grande Futebol
De penálti ganham, de penálti perdem (e com assobios a Seferovic)
Diogo Cardoso Oliveira
2017-11-12 23:00:00
Suíça não falha um Mundial desde 2002.

A seleção da Suíça já pode marcar viagens e hotel na Rússia, para ir ao Mundial 2018. E pode graças a polémico e muito falado penálti, que lhe deu a vitória frente à Irlanda do Norte, na primeira mão do playoff. Suíços dão-se bem com penáltis? Se calhar, não. A ler mais à frente.

Antes, vamos a um pouco de conteúdo bizarro. Se um jogador for assobiado, que aposta faz para os autores dos assobios? Os adeptos adversários, certo? Neste domingo, em Basileia, o benfiquista Haris Seferovic foi assobiado pelos próprios adeptos suíços. Desagradados com a exibição do avançado, que falhou várias bolas de golo, os adeptos assobiaram Seferovic, aos 86 minutos, quando o suíço foi substituído por Embolo. A reação? O melhor é ver.

Uma montanha, um lamaçal e um velho herói

Para chegar a este Mundial, a Suíça, também conhecida pelas imponentes montanhas alpinas, teve de escalar uma autêntica montanha. Depois de uma fase de qualificação quase perfeita, acabou por vacilar aos pés de Portugal, tendo de jogar o playoff. Neste par de jogos decisivos, veio outra montanha. Uma montanha íngreme e bem escorregadia, que foi a Irlanda do Norte.

Os britânicos foram um osso duro de roer e, na primeira mão, em Belfast, só perderam graças ao já referido, tão polémico e tão falado penálti. Neste domingo, em Basileia, conseguiram ser a tal montanha íngreme e escorregadia, em grande parte fruto da chuva que tornou o relvado do St. Jackobs Park num autêntico lamaçal. Relvado difícil? Chuva? Tudo ótimo para os norte-irlandeses que, no seu estilo rudimentar, criaram muitos problemas aos mais talentosos suíços, que foram salvos pelo lateral Ricardo Rodríguez. Já em tempo de compensação, o suíço impediu um golo, já junto à linha de baliza, impedindo também que o duelo fosse para prolongamento.

O jogo direto e as ideias rudimentares desta Irlanda do Norte não ficaram por aqui, dado que até as substituições seguiram esta lógica. Lembra-se do Euro 2016? Faça um esforço para se recordar da história vitória da Irlanda do Norte frente à Ucrânia, que deu aos norte-irlandeses um triunfo numa grande competição, algo que não acontecia há 34 anos.

Nesse dia, a 16 de junho, o herói britânico foi Gareth McAuley, que marcou o primeiro golo, aos 49 minutos. Hoje, o experiente central, já com 37 anos, terminou o jogo… a avançado. Desespero ou fé no milagre McAuley? Talvez as duas coisas.

De penálti perdem, de penálti ganham

Voltamos à grande curiosidade que traz este apuramento da Suíça. Como já recordámos, os suíços venceram a primeira mão do playoff, por 1-0, graças a um penálti (primeira vez que uma equipa passa um playoff de Mundial através de um único golo de penálti). Nas últimas duas grandes competições internacionais – o Euro 2016 e o Mundial 2014 –, os helvéticos foram eliminados por causa de… penáltis.

Em 2014, a Suíça de Hitzfeld vacilou frente à Argentina de Sabella, no desempate por pontapés de penálti. Em 2016, no europeu de França, já orientada por Vladimir Petkovic, a Suíça voltou a cair nos oitavos-de-final e voltou a cair nos penáltis, desta vez aos pés da Polónia.

Esta será a 11.ª presença da Suíça em Mundiais e a quarta consecutiva (não falha desde 2002). Teremos penáltis amigos ou penáltis inimigos?

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