Grande Futebol
Com diferenças destas, lutar com os melhores é impossível
Luís Santos Castelo
2018-09-14 11:00:00
O Real Valladolid tem um limite salarial 26 vezes mais baixo que o do FC Barcelona

Muito se fala da disparidade existente entre os três grandes de Portugal e as restantes equipas da Primeira Liga, alegando-se - com razão - que é uma competição algo injusta porque as equipas têm armas demasiado diferentes para atacar um objetivo que devia ser comum. Contudo, este problema não é apenas português. Em Espanha, tais diferenças também existem e até num nível consideravelmente superior. Entre o clube que mais pode gastar em salários e o emblema que menos dinheiro tem nesse sentido há uma diferença superior a 600 milhões de euros, o que não deixa ninguém indiferente.

A Liga Espanhola divulgou esta quinta-feira o "limite de custos do plantel" para esta época. De acordo com a informação no site oficial do organismo, estes dados referem-se ao dinheiro "que cada clube/SAD pode consumir durante a temporada 2018/19 e que inclui o gasto em jogadores, treinador, treinador adjunto e preparador físico da primeira equipa". "Este limite inclui ainda o gasto em filiais, academia e outras secções", pode ainda ler-se. E de que forma é que este dinheiro pode ser utilizado? "Salários fixos e variáveis, segurança social, prémios coletivos, gastos de aquisição (incluídas comissões para agentes) e amortizações." Cada clube ou SAD das duas primeiras divisões do futebol espanhol propõe à Liga o seu orçamento paa 2018/19 (ou "limite de custos do plantel", como preferir) e espera receber validação. Se assim não acontecer, tem que alterar o necessário.

Olhando para a tabela com todos os orçamentos para 2018/19, há dois que saltam claramente à vista: FC Barcelona e Real Madrid. Os catalães têm mais de 632 milhões de euros para gastar em 2018/19, cerca 66 milhões de euros a mais que os rivais de Madrid. São, por larga margem, os dois clubes com mais dinheiro para gastar, o que não surpreende ninguém. Ainda assim, é de realçar a diferença para os 'pequenos'. O Real Valladolid é o clube com o orçamento mais baixo - 23 milhões de euros, mais de 25 vezes menos que o FC Barcelona. SD Huesca (29 milhões de euros), Rayo Vallecano (33 milhões de euros), Girona FC (36 milhões de euros), Deportivo Alavés (39 milhões de euros) e Getafe CF (39 milhões de euros) não andam nada longe e também têm lutas demasiado desiguais com os gigantes de Madrid e Barcelona. Até o Atlético Madrid, equipa que foi campeã de Espanha em 2013/14 e foi a duas finais da Liga dos Campeões nos últimos anos, tem menos de metade do orçamento do FC Barcelona para 2018/19, tendo sido estabelecido um limite de 293 milhões de euros.

La Liga

Estes valores fazem com que qualquer ponto tirado a FC Barcelona e Real Madrid seja uma verdadeira conquista mesmo para clubes de grande dimensão como o Atlético Madrid, Valência CF (orçamento de 164 milhões de euros), Sevilha FC (162 milhões de euros), Villarreal CF (109 milhões de euros), Betis (97 milhões de euros) ou Athletic Bilbau (87 milhões de euros). Não há, assim, qualquer desculpa para que as formações de Ernesto Valverde e Julen Lopetegui não terminem nas duas primeiras posições da tabela classificativa.

Na Segunda Liga Espanhola também há algumas diferenças, mas não tantas como na primeira divisão. O Málaga CF é o emblema com mais dinheiro para gastar (25 milhões de euros), enquanto o Reus Deportiú é o que tem menos (três milhões de euros). No geral, ainda assim, a maioria das equipas não chega aos dez milhões de euros.

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